O resgate dos Pets

 

Entre notícias de execuções, prisões de bandidos e tanta arma e droga apreendida, como sempre, nas ações incessantes das polícias gaúchas, podemos dizer que algumas cenas noticiadas aqui no nosso Correio do Povo, por estes dias, chamaram a atenção. Se fizéssemos um concurso para eleger o insólito na crônica policial da semana, eu, sinceramente, ficaria na dúvida. A traficante que, ameaçada pelo viciado, pediu socorro à Brigada Militar? Ou o caixa eletrônico do crime? Talvez o furto da medalha Fields, recém entregue ao matemático iraniano num ambiente pleno de sofisticação e intelectualidade, no primeiro ano que a premiação ocorre no Brasil. Mas vou pular as bizarrices e eleger a ternura dos filhotes da raça Pug, no Denarc, aos cuidados da equipe do Delegado Rafael Pereira. Abro o jornal e encontro ambos, encontrados pelos policiais ao estourarem um ponto de tráfico na Vila Nazaré, com o olhar altivo para as lentes do fotógrafo. Debilitados, mas felizes por estarem livres outra vez, após passarem pelo que nem é bom imaginar.

Num domingo desses, flagrei um sujeito na frente da minha casa tentando surrupiar um dos meus cachorrinhos. Comprou uma briga que não imaginava. Entendo a emoção das duas mulheres ao reencontrarem seus pequenos, levados num assalto no último dia 22, e ressalto a sensibilidade dos policiais. A gente ama essas criaturinhas como se eles fossem seres iguais a nós, apenas com o mero detalhe de não falar – não com a voz. Que sou desses que tem peixe, cães e gatos em casa e converso com eles sobre tudo. Discutimos os rumos do novo livro e se o meu Xavante cai ou não para a série C. E olhe que fui criado, lá nos anos 70, numa realidade onde a expressão “pet” não existia, onde lá em casa a gente tinha cusco, mesmo, desses que comia resto de comida, tomava banho de mangueira e a única mordomia era um sabão específico. Mesmo assim, o meu melhor amigo tinha quatro patas e latia. Nossa sociedade evoluiu muito neste sentido, do amparo às possibilidades e cuidados com os animais de estimação.

Só que, claro, tudo tem seu lado B. A expansão de um mercado lucrativo trouxe consigo, infelizmente, os crimes que brotam junto. Onde há dinheiro, há violência. E sabemos que o ser humano é inescrupuloso o suficiente para transformar tudo em mercadoria e guerra. São Paulo, por exemplo, conseguiu fantásticas reduções em crimes contra a pessoa e o patrimônio, mas o roubo de cães e gatos aumentou cerca de 40%. Os bandidos fazem os bichinhos até de refém, abusando da comoção que causam nos seus donos. Ou revendem no mercado paralelo, aceitando troca de Pets roubados por droga. Eis mais uma pauta para os legisladores brasileiros. Embora a gente saiba das dificuldades que alguns têm de se importar com os outros, seja lá quantas patas tiverem.

Oscar :