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Porto Alegre, segunda-feira, 22 de Outubro de 2018

  • 30/04/2018
  • 22:51
  • Atualização: 23:18

Confederação de Ginástica promete "providências urgentes" sobre acusações de abusos sexuais

Ex-treinador da seleção masculina teria se aproveitado de treinos para abusar de 42 pessoas

Ex-treinador da seleção masculina teria se aproveitado de treinos para abusar de 42 pessoas  | Foto: Ricardo Bufolin / Divulgação CP

Ex-treinador da seleção masculina teria se aproveitado de treinos para abusar de 42 pessoas | Foto: Ricardo Bufolin / Divulgação CP

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A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) se manifestou por meio de nota oficial e prometeu providências urgentes sobre as denúncias veiculadas no programa Fantástico, da TV Globo, contra o ex-treinador da seleção masculina Fernando de Carvalho Lopes. Ele é acusado por pelo menos 42 ginastas ou ex-ginastas de ter cometido abusos sexuais enquanto trabalhava como técnico do Mesc (Movimento de Expansão Social Católica), de São Bernardo do Campo. Na noite desta segunda, o clube anunciou o afastamento de Fernando de suas funções e Luís Ricardo Davanzo, advogado do acusado, reforçou que seu cliente afirma ser inocente.

De acordo com a reportagem, mais de 80 pessoas foram ouvidas. Destas, 42 alegaram ter sido vítimas de algum tipo de abuso físico, moral ou sexual por Fernando, que fez carreira no Mesc e integrou, durante dois anos, a comissão técnica da seleção. Os relatos apontam para um comportamento padrão do treinador: ele se aproveitava das instruções durante a execução dos exercícios para apalpar nádegas e genitais dos atletas. Também os abordava enquanto tomavam banho no vestiário ou estavam na sauna.

Em nota enviada à imprensa, a CBG afirma que trabalha em parceria com o Ministério do Trabalho e promete tomar providências urgentes para apurar casos de abusos sexuais na modalidade. “A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), por meio desta, informa que adotará providências urgentes, em consonância com orientações do Ministério Público do Trabalho, órgão que tem cooperação nessa área, no sentido de avaliar o melhor procedimento que o caso requer”, diz trecho do comunicado.

A entidade ainda informa que “fará a oitiva do treinador Marcos Goto sobre a acusação de comportamento inadequado”. Goto é o treinador de Arthur Zanetti, um dos maiores ginastas brasileiros de toda a história (ele foi ouro em Londres-2012 e prata no Rio-2016). Segundo a denúncia, ele sabia dos abusos do colega, mas não denunciou o fato às autoridades. No final do comunicado, a confederação afirma que “nenhum caso de Assédio ou Abuso ficará sem rigorosa apuração e eventual sanção, conforme a hipótese”.

O advogado Luís Ricardo Davanzo, que defende o ex-técnico da seleção brasileira masculina de ginástica, reforçou que seu cliente alega inocência, disse ser necessário aguardar o término da investigação policial e citou um filme em cartaz nos cinemas para traçar um paralelo com o caso. Trata-se do longa “Aos Teus Olhos”, que conta a história de Rubens (personagem vivido pelo ator Daniel Oliveira), um professor de natação acusado pelos pais de um dos meninos para quem dá aula de tê-lo beijado na boca no vestiário da escola. Logo a suposta história de pedofilia viraliza em um grupo no WhatsApp e nas redes sociais. O filme aborda principalmente o linchamento virtual prévio ao desfecho da investigação.

“O filme demonstra que houve conspiração e, no fim, o professor é inocente. E temos de analisar também o momento da acusação. Ele (Fernando) estava prestes a ter o melhor momento na carreira, que era ir para a Olimpíada como professor. Por isso, temos de apurar com calma, aguardar a Polícia Civil, ouvir todos que se sentem vítimas”, falou Davanzo, em contato com o Estado.

Ele se refere à primeira acusação formalizada contra Fernando, ainda em 2016, pouco antes dos Jogos Olímpicos do Rio, baseada no relato de um menino menor de idade que alegou ter sido abusado durante anos. “Ele nunca foi uma pessoa de fazer amigos. Queria fazer campeões. E dessas questões de relacionamento surgiram desafetos”, afirmou Davanzo. “O Fernando nega, embora não tenha sido envolvido ainda pela Justiça porque o Ministério Público requereu a oitiva de várias pessoas que teriam feito essas alegações”, explicou o advogado do ex-técnico. O caso corre na Justiça há dois anos.


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