Porto Alegre, sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

  • 27/01/2014
  • 19:59
  • Atualização: 20:37

MPF de NH entra com ação para liberar transmissão da Copa nas rádios

Promotor classifica postura de detentores dos direitos do Mundial como "censura"

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  • Correio do Povo e Rádio Guaíba

O promotor do Ministério Público Federal em Novo Hamburgo, Celso Tres, conversou nesta segunda-feira na Rádio Guaíba sobre a ação civil pública que vai ajuizar contra a Fifa. Ele pretende garantir o direito de transmissão da Copa do Mundo de 2014 a todas as rádios do país, pelo menos no modelo "off tube", acompanhando as imagens pela TV. "É um caso de censura", enfatizou.

Para Tres, o cenário oferecido pela Rede Globo e a Fifa, dentro de todo o investimento que foi feito no país para receber o Mundial, parece reforçar o ditado "se socializa o prejuízo e se privatiza o lucro". "O poder público concede às TVs uma concessão para exercer a transmissão. É um serviço ao público. O papel então é proteger a liberdade destes veículos", frisou o promotor. "Além disso, a Copa no BRasil é amplamente financiada pelo dinheiro público, mesmo de forma indireta com juros do BNDES abaixo da inflação", argumentou.

"Então, não pode ser privatizado desta forma. Poderia ser cobrado um espaço lá no estádio para determinada rádio, TV etc. Mas a cobertura esbarra no jornalismo e precisa ser liberada", salientou. "Senão, daqui a pouco, vai querer impor direito de transmissão de imagem num evento religioso ou político de interesse público, como a chegada do Papa. O direito está restrito enquanto não conflitar com o jornalismo e a comunicação social", analisou Tres.

Ele comentou que espera a decisão judicial num prazo de dois meses e, destaca a importância da ação ser resolvida antes do Mundial. "Pedi que o juiz ouça a União antes de decidir a liminar", acrescentou.

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