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04/03/2014 13:28 - Atualizado em 04/03/2014 13:38

“Nossos prazos são muito curtos”, afirma Valcke a 100 dias da Copa

Secretário-geral da Fifa fez análise sobre preparativos do Brasil para Mundial

Valcke definiu a organização da Copa no Brasil como difícil<br /><b>Crédito: </b> Christophe Simon / AFP / CP
Valcke definiu a organização da Copa no Brasil como difícil
Crédito: Christophe Simon / AFP / CP
Valcke definiu a organização da Copa no Brasil como difícil
Crédito: Christophe Simon / AFP / CP

A 100 dias do pontapé inicial da Copa do Mundo, os fios brancos a mais desde que o Brasil foi escolhido como sede da Copa de 2014 denunciam que Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, tem sobre os ombros uma enorme responsabilidade. O frânces, , que colecionou polêmicas e desafetos ao longo da preparação brasileira, não escondeu que os prazos apertados de entrega de estádios são preocupantes e deu o tom do que tem representado este desafio no Brasil. “Posso dizer certamente que não foi uma Copa fácil”, disse.

Apesar de ressaltar que há muito trabalho a ser feito, Jérôme Valcke se mostrou otimista de que a Copa será bem sucedida. “Completamos, com sucesso, uma semana inteira de viagens e eventos no Brasil há alguns dias, e pude ver a empolgação vinda das cidades-sede que visitamos e também das seleções participantes que estiveram no Workshop das Seleções, em Florianópolis. As instalações da Copa e as cidades que sediarão os CTs também podem ver claramente esse entusiasmo. E é impossível não pensar no momento em que a bola estiver finalmente rolando, em 12 de junho. Há, é claro, muito trabalho a ser feito”, disse.

“Estamos trabalhando com prazos muito curtos. Mas temos um compromisso da presidente Dilma com todas as cidades e tenho certeza de que tudo que é preciso para que a Copa seja bem sucedida estará em ordem”, seguiu.

Confira a entrevista de Jérôme Valcke

Em que patamar o senhor entende que um país-sede deveria estar a 100 dias do evento?


Jérôme Valcke: Com 100 dias restantes, não se fala em questões, e sim em soluções. Certamente ainda temos três estádios para entregar, com São Paulo e Curitiba provavelmente prontos apenas em 15 de maio. A chave é começar a instalação da infraestrutura de tecnologia da informação necessária, que leva cerca de 90 dias, e assegurar a transmissão de imagens dos 64 jogos para bilhões de pessoas. Mas estamos trabalhando ao lado das cidades para encontrar os melhores cenários. O que conta no fim é que tudo esteja em ordem para o pontapé inicial. E isso irá acontecer.

Em que medida o atraso de importantes obras de infraestrutura impacta na operação do evento?

Jérôme Valcke: Não haverá impacto ou comprometimento em segurança, mas em alguns estádios que entregamos tarde poderemos ver algum impacto em prestação de serviço aos torcedores, como ocorreu durante a Copa das Confederações. Isso se dá porque podemos não ter tempo suficiente, por exemplo, para checar se todos os assentos indicados no plano de assentos correspondem, em realidade, ao número e localização. Isso, infelizmente, aconteceu durante a Copa das Confederações principalmente no Recife, onde algumas fileiras foram numeradas de forma diferente ou sequer existiam. Para casos assim, temos ingressos de contingência e equipes de serviço no local para resolver questões assim, mas certamente é um aborrecimento a mais para o torcedor. Isso é algo que gostaríamos de evitar. Porém, pode acontecer em instalações entregues com atraso.

Pesquisa mostrou uma queda da aprovação do brasileiro em relação à Copa. Como a Fifa vê isso?


Jérôme Valcke: O Brasil é um país democrático com 200 milhões de pessoas. É impossível para todos terem as mesmas crenças. A última pesquisa mostra que 58% são a favor de sediar a Copa do Mundo. Se compararmos ao mesmo período antes da Olimpíada de Londres-2012, lá o percentual era de 49%.

O termo “Padrão Fifa” foi muito utilizado nas recentes manifestações. O que significa este termo?


Jérôme Valcke: Certamente os padrões para um evento da magnitude da Copa são muito altos. Reconhecemos e apoiamos o desejo do povo brasileiro de discutir investimentos públicos em serviços. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro explicou diversas vezes que o dinheiro público para construir e reformar estádios não sai do orçamento federal, diferentemente de educação e saúde. Se você comparar o que foi investido nessas áreas com o que foi investido em estádios, você verá isso em um contexto diferente. Os estádios custarão cerca de R$ 8 bilhões no total. Desde 2007, quando o Brasil foi escolhido sede da Copa do Mundo de 2014, as áreas de saúde e educação receberam mais de R$ 700 bilhões, de acordo com registros públicos.

Além disso, o investimento necessário para o projeto da Copa do Mundo vem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como empréstimos que serão integralmente pagos, com juros, pelos operadores dos estádios.

O Brasil alcançou este padrão na prestação dos serviços exigidos pela Fifa?


Jérôme Valcke: O legado já está lá para os que querem vê-lo. A Fifa trata de futebol, então vamos começar com o legado para o futebol. Você já pode ver os benefícios da melhoria da infraestrutura. Os novos estádios já registraram a maior média de público na última temporada do Campeonato Brasileiro desde 1983.

As melhorias nos campos, que levam a uma melhor qualidade do jogo. E os investimentos em centro de treinamentos além das 12 cidades-sede, que melhorarão o futebol profissional. Além disso, a Fifa tem uma estratégia sustentável desde o treinamento de operadores do estádio, para ajudá-los a gerir e manter os estádios de maneira sustentável, fornecendo, pela primeira vez, serviços de comentários áudio-descritivos para torcedores com deficiências auditivas no Brasil, durante a Copa.

Os equipamentos e os profissionais treinados permanecerão no Brasil, e isso será outro importante legado para os jogos do Campeonato Brasileiro. Estou convencido de que o torneio dará um salto de qualidade para desafiar as grandes ligas europeias no futuro. Isso acontecerá se as melhorias nas normas de gestão acompanharem as melhorias nos estádios.

Essa é a parte do futebol. Mas sediar esse evento é um catalisador para investimentos em infraestrutura pelas cidades-sede e o governo federal, que seguirão como um legado sustentável para benefício da população.

Dirigir a Copa no Brasil foi seu mais difícil desafio até hoje?

Jérôme Valcke: É apenas a minha terceira Copa do Mundo com a Fifa e só a segunda em que estou totalmente no comando. Posso dizer que não foi uma Copa fácil.

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Fonte: Lancepress






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