Porto Alegre, sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

  • 24/03/2014
  • 12:23
  • Atualização: 12:44

Árbitro presta depoimento sobre racismo na Câmara de Porto Alegre

RS registrou mais de mil ocorrências relativas ao preconceito de cor ou origem entre 2007 e 2013

Márcio Chagas relatou preconceito sofrido em jogo em Bento Gonçalves | Foto: Desirée Ferreira / Divulgação Câmara de Vereadores / CP

Márcio Chagas relatou preconceito sofrido em jogo em Bento Gonçalves | Foto: Desirée Ferreira / Divulgação Câmara de Vereadores / CP

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  • Mauren Xavier / Correio do Povo

O caso de racismo envolvendo o árbitro Márcio Chagas na partida entre Esportivo e Veranópolis reacendeu a discussão sobre o tema no Rio Grande do Sul. Na manhã desta segunda-feira foi realizado o debate “Crimes de racismo na sociedade e no esporte: Como enfrentá-los?”, promovido pela Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana, na Câmara Municipal de Porto Alegre.

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O encontro foi aberto pelo depoimento do árbitro de futebol, que detalhou as agressões verbais que sofreu de um grupo de 20 torcedores ainda ao entrar em campo e depois do jogo no dia 5 de março, quando encontrou o seu veículo com as portas amassadas e bananas espalhadas pelo carro. Pela gravidade, o caso teve visibilidade nacional. “Mas não havia justificativas ou motivos. Existe um racismo velado muito forte no Brasil e no esporte”, afirmou Chagas. 

Nesta mesma linha, a vereadora Séfora Mota ressaltou que o preconceito chega a ser comparado a uma doença. “É preciso enfrentar o tema o tempo inteiro para conseguirmos a longo prazo mudar essa realidade”, disse. Em solidariedade ao árbitro, a vereadora Fernanda Melchiona avaliou que, para mudar essa realidade, é preciso pensar em medidas efetivas de compensação às vítimas. “É necessário exigir do Estado reparação por este tipo de crime”, afirmou ela. De acordo com o presidente da Comissão, Alberto Kopittke, o combate ao racismo merece maior atenção. “Somos responsáveis por ainda haver racismo no Brasil”, lamentou.

De acordo com dados apresentados pelo assessor da Secretaria de Segurança Pública (SSP/RS), Luiz Felipe Teixeira, foram registradas mais de mil ocorrências ligadas ao preconceito de cor ou origem no Rio Grande do Sul. Os números correspondem ao período de 2007 e 2013, levando em consideração os 12 municípios gaúchos com maior número de registros. Segundo a secretaria, Porto Alegre lidera o ranking com 26% do total das ocorrências.

Teixeira informou que, apesar do volume, os dados estão longe da realidade. Ele explicou que o número maior de ocorrências em Porto Alegre está diretamente ligado à facilidade de acesso aos serviços de polícia. Segundo ele, no Interior há uma certa complacência com crimes de racismo.

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TAGS » Futebol, Esporte, Racismo