Porto Alegre, segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

  • 19/04/2014
  • 18:21
  • Atualização: 18:25

Advogado da CBF rebate Lusa e cogita até Série C como punição

Para Carlos Miguel Aidar, Portuguesa agiu de má-fé ao não enfrentar o Joinville

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  • Lancepress

Advogado da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Carlos Miguel Aidar, que também é presidente do São Paulo, discordou de forma veemente do abandono de jogo protagonizado pela Portuguesa no duelo com o Joinville, na sexta-feira, válido pela Série B do Campeonato Brasileiro. O representante jurídico da CBF acusou a Lusa de "agir com má fé", afirmando que o clube não tinha respaldo legal para deixar o gramado da Arena Joinville.

“A Portuguesa tinha ciência de que estava intimada pelo juiz da 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca do Rio de Janeiro a jogar a Série B. Ela tinha ciência de que o Supremo Tribunal de Justiça tinha determinado que o único juiz competente era o do Rio de Janeiro. Ela sabia que não podia fazer o que fez. Ela abandonou o jogo, agiu de má fé”, declarou o advogado.

O que Aidar explicou diz respeito à liminar emitida pela 3ª Vara Cível da Penha de São Paulo, movida pelo torcedor Renato de Britto de Azevedo. Por ter sido emitida fora da 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca, o advogado da CBF entende que o documento não tem valor legal, já que o Supremo Tribunal de Justiça, no dia 26 de março, determinou que todas as liminares de torcedores referentes à perda de pontos da Lusa no Brasileirão do ano passado deveriam ser julgadas no Rio de Janeiro.

Punições

Aidar deixou claro que a Portuguesa não deve escapar de punições devido ao abandono de jogo. Além de multas e perda de pontos, o representante jurídico da CBF em ações movidas por torcedores também sinalizou a queda da Lusa à Série C do Brasileirão caso o clube insista com a ideia de não voltar mais a campo pela Série B.

“Perda dos pontos da partida e uma multa que pode chegar a valores de milhões de reais. Se ela persistir nisso, pode ser excluída da Série B, o que irá obrigá-la a disputar a Série C”, disse Aidar, ao ser questionado sobre os riscos que a Portuguesa corre a partir desde fim de semana. “A CBF está sendo a grande vítima nessa história. A Portuguesa está se fazendo de coitadinha, mas isso não é verdade.”

Outra culpada e, portanto, passível de punição, na opinião do advogado, é a juíza Adaisa Bernardi Isaac Halpern. Foi ela quem concedeu a liminar que recoloca a Portuguesa na Séria A do Brasileirão. “Pode responder por um processo disciplinar perante a Corregedoria Geral de Justiça e perante o Conselho Nacional de Justiça e por indenização de danos morais, por causar prejuízo a torcedores e ao Pay-Per-View (sistema de TV pago para assistir determinados jogos com exclusividade)”, projetou Aidar. “ Ela fez uma grande besteira. Ela talvez nao tenha noção do estrago que fez no futebol brasileiro.”

Conflito de interesses

Presidente do São Paulo e advogado da CBF em ações movidas por torcedores, Aidar foi questionado se ele vê algum problema relacionado a conflito de interesses, já que está envolvido com uma ação favorável à Portuguesa (possível rival do Tricolor do Morumbi, caso o clube consiga disputar a Série A do Brasileirão). O advogado declarou não haver tal tipo de problemas, já que a ação tem um torcedor como autor, e não a diretoria lusitana.

“Enquanto o outro lado da disputa judicial for torcedor, Ministério Público e Associação des Consumidores, não há conflito algum em Carlos Miguel advogar para a CBF. No processo em que a Portuguesa é parte, o que não aconteceu no de ontem (sexta), nós não somos advogados”, concluiu

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