Porto Alegre, sábado, 25 de Outubro de 2014

  • 23/04/2014
  • 16:22
  • Atualização: 16:50

Alcindo lembra Copa de 66 e vê favoritismo do Brasil por jogar em casa

Ex-centroavante de Seleção e Grêmio é um dos homenageados do Tour da Taça

Alcindo considera fator local como determinante para o Brasil na Copa | Foto: Ricardo Giusti

Alcindo considera fator local como determinante para o Brasil na Copa | Foto: Ricardo Giusti

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  • Cristiano Munari / Correio do Povo

Maior artilheiro da história do Grêmio e centroavante da Seleção Brasileira na Copa de 1966, Alcindo é um dos homenageados – ao lado de Dunga - do Tour da Taça, projeto que trará o troféu da Copa do Mundo para Porto Alegre neste final de semana. O Bugre, como era chamado nos tempos de jogador, conversou com o Correio do Povo nesta quarta-feira sobre sua experiência no Mundial da Inglaterra, onde formou o ataque brasileiro com nada mais nada menos que Pelé e Garrincha.

Aos 69 anos, Alcindo lembra bem da Copa do Mundo que jogou. Tinha 21 anos quando fez parte do elenco comandado por Vicente Feola. O desempenho canarinho naquele Mundial não foi bom. Com duas derrotas e um empate, o Brasil voltou para casa mais cedo. Bugre lembra que os problemas físicos ajudaram a derrubar aquele time que contava com alguns dos melhores jogadores da história.

O próprio Alcindo sofreu uma lesão semanas antes da competição e só voltou a jogar já na Copa. Participou das duas primeiras partidas, vitória sobre a Bulgária (2 a 0) e derrota para a Hungria (3 a 1). Fiicou fora do jogo que decretou a eliminação do Brasil, revés para Portugal (3 a 1) de Eusébio, por um problema no tornozelo.

“Saímos daqui para chegar lá e ganhar a Copa no país deles. Era só nisso que se falava. O erro foi a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) esquecer que o tempo passou. Jogamos a Copa de 66 com o time de 58. Eu era o único titular jovem. Se passaram oito anos e o time não foi renovado. Me machuquei antes da Copa e só fui jogar lá. Fiquei fora da preparação. Achamos que os gringos iriam sentir a pressão de jogar contra nomes como Pelé e Garrincha, mas eles vieram fisicamente melhor e passaram por cima. Acho que a Copa de 66 serviu de lição para ganharmos a de 70”, disse.

Apesar de não ter voltado da Inglaterra com o título, Alcindo tem boas lembranças daquele Mundial. Recorda com orgulho de ter jogado ao lado de Pelé e Garrincha, que considera os dois maiores jogadores da história. “Fazer comparação é sempre difícil, mas acho que tem que pegar o Pelé e o Garrincha e deixar de fora. Aí vocês compara os outros”, falou em tom de admiração.

“Tenho lembranças boas e ruins daquela Copa. Na boa está a Honra de ter jogado com Pelé e Garrincha. Até hoje mostro as fotos para os meus filhos. Eles eram muito bons de grupo. Garrincha era tranquilo, tudo para ele estava bom. O Pelé era muito humilde. Joguei com ele no Santos. Ele nunca quis ser capitão do Santos por pura humildade”, contou.

Tour da Taça


Evento levará a taça da Copa do Mundo para 24 estados brasileiros dos dias 22 de abril e 1º de junho. Participarão ex-jogadores da Seleção Brasileira e atletas que foram campeões vestindo a amarelinha. Em Porto Alegre, o evento ocorre neste sábado e domingo, no Barra Shopping. Dunga e Alcindo estarão presentes na abertura, no sábado.

Esta é a terceira Copa do Mundo que ocorre o Tour da Taça. As outras foram na Alemanha, em 2006, e África do Sul, em 2010. O troféu do Mundial chega a Porto Alegre na manhã deste sábado, às 7h30min, no aeroporto Salgado Filho.

Confira trechos da entrevista de Alcindo:

Vantagem de jogar em casa
“Mesmo a Copa sendo fora, foi algo muito especial ir defender o país e uma responsabilidade grande. Jogando em casa, essa responsabilidade aumenta. Por outro lado, o calor da torcida, o fato de conhecer bem os estádios e o ambiente facilitam. Mas é uma competição curta, em que qualquer erro custa muito caro.”

Otimismo em relação à Seleção Brasileira
“Estou otimista. Um time tem que ter uma espinha dorsal. Tem que ter um bom goleiro, uma boa defesa, um meio campo forte e um bom centroavante. Nós estamos bem nisso. Falta apenas na frente um camisa 9 de mais qualidade. Mas penso que o Neymar pode compensar isso e até mesmo jogar como homem mais adiantado”.

Centroavantes do futebol brasileiro
“Falta camisa 9 não apenas na Seleção. Os clubes também não têm. Gostava do Luis Fabiano, mas ele caiu muito. O Adriano poderia ser esse jogador se não tivesse tido os problemas. O 9 bom é aquele que faz gols”.

Adversário do Brasil na briga pelo título

“Brasil sempre tem craques. Sempre entra como favorito em qualquer competição. Muitas vezes quando a Seleção é criticada aqui, lá fora se olha com respeito e se vê o Brasil como favorito. Jogando em casa isso aumenta. Vejo Espanha, Alemanha, Portugal e Argentina como principais adversários”.

Importância de Felipão

“O Felipão traz a torcida para o lado. Brasil sempre sofreu com vaias aqui e com ele não teve isso na Copa das Confederações. Ele tem a linguagem do jogador. Sabe como trabalhar na seleção. Vejo ele até como um técnico melhor de seleção que de clube. O Brasil vinha mais ou menos com o Dunga, mal com o Mano e com ele melhorou. Provou na Copa das Confederações derrotando a favorita Espanha”.

Diferença do futebol dos anos 60 para o atual
“Futebol hoje foca mais no físico que na qualidade. Na base, o cara que é rápido e forte leva vantagem e em relação ao habilidoso. Na minha época era ao contrário. Vinha um jogador que corria muito de fora fazer teste no Grêmio e a gente ria. ‘vamos deixar ele correr e cansar para ganhar dele na habilidade’, dizíamos. O drible era obrigação de todo jogador. Hoje, o Neymar dribla e se destaca por isso. Não foi ele quem inventou, sempre se fez isso. Antigamente todo mundo driblava.”

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