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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

  • 11/09/2018
  • 09:51
  • Atualização: 10:25

Com mudanças, Brasil encara El Salvador em 2º amistoso nos Estados Unidos

Seleção salvadorenha não enfrenta um adversário de outro continente há mais de um ano

Com mudanças, Brasil encara seleção de El Salvador em 2º amistoso nos Estados Unidos | Foto: Lucas Figueiredo / CBF / CP

Com mudanças, Brasil encara seleção de El Salvador em 2º amistoso nos Estados Unidos | Foto: Lucas Figueiredo / CBF / CP

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O segundo rival do Brasil no ciclo de preparação para a Copa do Mundo de 2022, no Catar, será uma equipe com ambições bem mais modestas do que jogar um Mundial ou conviver com salários milionários. Em Washington, nesta terça-feira, às 21h30min, os jogadores de El Salvador vão entrar em campo mais preocupados em dividir espaço com os astros brasileiros, deixando momentaneamente de lado problemas como atrasos salariais na liga local e rotina de jogos com seleções inexpressivas.

O encontro com o Brasil é como um oásis na agenda da seleção salvadorenha. A equipe disputa as Eliminatórias para a Copa Ouro, competição da América Central equivalente à Copa América. Até o fim do ano, os compromissos são contra os frágeis rivais Barbados e Bermuda. No sábado, El Salvador encarou pelo torneio classificatório o arquipélago de Montserrat, território pertencente ao Reino Unido e que tem população inferior a 5 mil pessoas. Ganhou por 2 a 1, com o gol da virada marcado nos acréscimos da disputa.

"Existe uma diferença enorme entre as duas seleções hoje. O Brasil tem jogadores nas melhores ligas do mundo. Nossa seleção tem apenas alguns atletas que atuam fora. Espero apenas que possamos fazer um papel minimamente digno", disse ao Estado o treinador de El  Salvador, o mexicano Carlos de Los Cobos. Ex-volante, ele fez carreira no América do México e disputou a Copa de 1986. O técnico está pela segunda vez no comando da seleção, 72.ª colocada no ranking da Fifa.

El Salvador tem o nome marcado no futebol por ter sofrido a maior goleada da história das Copas: 10 a 1 diante da Hungria, em 1982, na segunda e última vez em que o time disputou um Mundial. Nas duas tentativas mais recentes, a equipe não chegou à fase decisiva, o hexagonal final. "O nível da nossa liga é muito baixo. São 12 equipes, todas com instalações precárias e estádios públicos. Os jogadores têm poucos recursos para desenvolver suas capacidades. O universo de atletas que podemos convocar é restrito", afirmou o treinador mexicano. A convocação de El Salvador deixou fora do amistoso jogadores que, em 2013, envolveram-se em escândalo de arranjo de resultados de partidas da seleção pelas Eliminatórias.

Há mais de um ano, El Salvador não enfrenta um adversário de outro continente. O último encontro foi com o Equador, em junho do ano passado. O atacante brasileiro Ricardinho conhece bastante o futebol local, onde atua há quatro anos pelo Santa Tecla, que ganhou fama internacional em 2016 ao contratar o uruguaio Loco Abreu. O clube forneceu quatro jogadores para a seleção. "As equipes passam dificuldades, demoram a pagar salário. No meu time, o máximo que ocorreu foi ficar um mês sem receber. O futebol daqui é bom, mas não é do nível do brasileiro", explicou ao Estado.

O capixaba de 31 anos recebeu sondagem tempos atrás para se naturalizar salvadorenho, mas disse que a corrupção no passado do futebol local esfriou o apoio da torcida à seleção do país. Segundo Ricardinho, a equipe convive com grande cobrança para conseguir voltar a uma Copa. No futebol regional, os clubes têm conseguido melhorar a estrutura de trabalho aos poucos. "Os times têm estrutura de equipe da Série A do Paulista. Mas existem diferenças. No Brasil, até os clubes menores oferecem refeição após o treino. Começamos a ter isso neste ano", contou.

Brasil com mudanças

O técnico Tite escalou seis jogadores para o segundo amistoso da seleção brasileira que não estavam na configuração inicial do último jogo do Brasil. O time que vai jogar contra El Salvador terá os laterais Alex Sandro e Éder Militão, o goleiro Neto, o atacante Richarlison, o zagueiro Dedé e o volante Arthur. Eles começaram no banco de reservas o jogo contra os Estados Unidos, na vitória por 2 a 0 da sexta-feira. O amistoso contra El Salvador é considerado um jogo de oportunidade para alguns jogadores ganharem espaço.

Com a seleção adversária na 72ª posição no ranking da Fifa, Tite aproveita a chance para mudar a escalação titular e realizar testes. Os amistosos nos Estados Unidos são a retomada do trabalho da seleção brasileira após a Copa do Mundo da Rússia. "Estamos à procura dessa oportunidade", apontou Alex Sandro. O jogador afirmou ainda que o fato de El Salvador ser considerado uma seleção mais fraca não é motivo para diminuir a atenção em campo. "Queremos sempre mostrar alto nível independente de (os adversários) serem seleções consideradas maiores ou menores", declarou. "Agora é estar preparado para jogar", comentou Éder Militão, que vai fazer sua estreia na seleção e disse que irá guardar a camisa do primeiro jogo.

Amistoso internacional

Brasil

Neto, Militão, Marquinhos, Dedé, Alex Sandro, Casemiro, Diego Costa, Arthur Philippe Coutinho, Neymare Richarlison. Técnico: Tite

El Salvador

Hernández, Tamacas, Mendoza, Barahona Mejía, Rivera, Baires, Cerén, Sosa Ramírez e Edgar Cruz. Técnico: Carlos de los Cobos.

Árbitro: Jair Marrufo (Estados Unidos).

Horário: 21h30min (horário de Brasília).

Local: FedEx Field Stadium(Washington).