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  • 31/08/2018
  • 17:47
  • Atualização: 18:56

Javalis figuram entre as 100 piores espécies exóticas invasoras do planeta

Animais devoram plantações e filhotes de bovinos e ovinos em solo gaúcho

Animais devoram plantações e filhotes de bovinos e ovinos em solo gaúcho | Foto: Guilherme Almeida

Animais devoram plantações e filhotes de bovinos e ovinos em solo gaúcho | Foto: Guilherme Almeida

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  • Luciamem Winck

 O Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali, cujo objetivo é realizar o manejo populacional e o controle sanitário do animal no Brasil,  foi apresentado ontem na Expointer. De acordo com a chefe da Divisão de Sanidade Suídea do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, médica veterinária e auditora fiscal federal agropecuária Lia Coswig, a pasta vem buscando maior credibilidade do Brasil em questão de transparência para Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e parceiros comerciais.

“Com o controle epidemiológico da espécie, vamos conseguir ampliar e incrementar ações de vigilância em asselvajado e consequentemente ter subsídios técnicos para traçar estratégias de ações futuras”, assinalou. Segundo ela, a iniciativa, elaborada em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, tem o objetivo principal de assegurar o controle populacional do javali, mais presentes nas regiões da Campanha e Noroeste do Rio Grande do Sul. O maior problema, conforme Lia, é que está ocorrendo o cruzamento com suínos, originando os javaporcos. "Uma fêmea de javaporco gera até 12 filhotes por vez, totalizando uma média de 24 por ano, considerando uma gestação a cada seis meses. Já a fêmea javali pode ter oito filhos, sendo quatro por semestre", explicou.

O javali é apontado como uma das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo. "Destrói lavouras, principalmente de milho e sorgo, e ataca filhotes recém-nascidos de ovinos e bovinos. A bem da verdade, o que encontra pelo caminho ele mata e come", argumentou. Lia ainda informou que a proliferação do animal representa série risco de transmissão de peste suína clássica - o RS é zona livre da doença desde 2015 -, febre aftosa, tuberculose, brucelose e leptospirose. "É um animais asselvajado que vive em zonas onde haja abrigo e não tenha inimigos. Lembrou que a Instrução Normativa 3/2013, do Ibama, considerou o javali como espécie nociva e autorizou o controle populacional. "A única maneira de controle é o abate, em qualquer idade", frisou. Por ser um animal de difícil manejo, o Ibama proíbe a criação comercial no país.

 

A coordenadora de Sanidade Suídea da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Juliane Galvani, disse que o RS tem duas legislações relacionadas à defesa sanitária: investigação da sorologia para peste suína clássica em suídeos asselvajados e capacitação, monitoramento vigilância sanitária, destinada aos agentes de manejo populacional regularizados junto ao Ibama. "Bastam dois animais por quilômetro quadrado para provocar alterações no ecossistema em que vive, podendo inclusive soterrar nascentes. Só foram erradicados em ilhas, mas com alto custo financeiro", enfatizou. Os javalis igualmente representam uma ameaça às emas, já que costumam devorar seus ovos.


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