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Porto Alegre, terça-feira, 13 de Novembro de 2018

  • 01/09/2018
  • 08:50
  • Atualização: 09:02

Futuro da gestão do Parque Assis Brasil está em aberto

Atual governo do Estado entende que o local deve deixar de ser administrado pelo poder público

Terceirização do Parque Assis Brasil não é consenso | Foto: Alina Souza

Terceirização do Parque Assis Brasil não é consenso | Foto: Alina Souza

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  • Cíntia Marchi

A 41ª edição da Expointer vai terminando sem que se saiba como será, no futuro, a gestão do espaço que ocupa. O atual governo do Estado entende que o Parque de Exposições Assis Brasil deve deixar de ser administrado pelo poder público. A ideia, que não é consenso, é defendida por grande parte das entidades que hoje são parceiras na organização da Expointer, como a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) e Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers). O presidente da Febrac, Leonardo Lamachia, cogita a possibilidade de as próprias entidades assumirem a administração do parque se um estudo demonstrar a viabilidade.

Lamachia diz ser necessária uma discussão “urgente” em relação à gestão do parque – já houve um primeiro encontro com o vice-governador José Paulo Cairoli, no início de agosto, para tratar deste assunto – porque defende que o governo não continue assumindo esta atribuição quando deveria se dedicar às áreas essenciais. “Precisamos achar uma solução para desonerar o Estado desta atividade”, sustenta. O dirigente da Febrac afirma que lhe “seduz” a ideia de as próprias entidades se comprometerem com o gerenciamento da estrutura. Mas, antes disso, diz ser necessário traçar um plano de negócio e estudar todos os números, como os custos para manutenção da área e os investimentos a fazer. O presidente aponta dois modelos que poderiam espelhar esta discussão, que são a Feira Rural Do Prado, em Montevidéu, organizada pela Associação Rural do Uruguai, e a Feira de Palermo, em Buenos Aires, organizada pela Sociedade Rural Argentina, que é muito semelhante à Expointer, apesar de ter um porte menor.

O diretor administrativo da Farsul, Francisco Schardong, é mais cauteloso. “É preciso um estudo aprofundado. Podem chegar propostas boas, mas é preciso calma para não se cometer erros”, adverte. Schardong avalia ainda que a manutenção do parque “é muito pesada para passar para um terceiro”. Como entende que ficaria muito caro para uma entidade assumir a tarefa, acredita que o parque teria que se abrir a outras atividades e finalidades, além de feiras e exposições, se quiser encontrar um gestor que não seja o Estado.

A presidente do Simers, Carolina Rossato, diz que o sindicato “é favorável a tudo o que for benéfico e traga otimização de recursos”. Ela destaca que o Simers, que ocupa uma área no parque, investe e faz melhorias para atender as empresas associadas e os clientes. E entende que a gestão terá que se adequar a um modelo “específico”, já que a Expointer agrega diversos segmentos, como máquinas, agricultura familiar e animais. Carolina lembra que muitas feiras são administradas pelo setor privado, como a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), ou cooperativas, como a Expodireto, de Não-Me-Toque.

Mas a terceirização não é consenso. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) não concorda que o governo se retire totalmente do controle do parque que, segundo a entidade, “é do povo”. Para o presidente Carlos Joel da Silva, algumas infraestruturas poderiam ser terceirizadas, como áreas para a construção de um hotel e de restaurantes. A gestão, no entanto, deveria continuar com o poder público. “O Estado pode inclusive fazer economia com o parque. Por que as secretarias do governo, que hoje estão em prédios privados e pagam aluguel em Porto Alegre, não vêm para cá, já que se quer dar vida ao parque?”, questiona. E alerta: “A iniciativa privada visa lucro e o setor da agricultura e da pecuária podem começar a perder espaço.”

O Parque Assis Brasil

Inaugurado em 1970, em Esteio, o parque conta com área de 141 hectares. Por ano, são gastos cerca de R$ 5 milhões de recursos públicos para a manutenção dessa estrutura, segundo o diretor administrativo do parque, Sandro Roberto Schlindwein. A Expointer, no entanto, tem gerado um superávit de cerca de R$ 2,5 milhões nos últimos anos, abatendo metade dos custos.

O secretário de Planejamento, Governança e Gestão, Josué de Souza Barbosa, diz que a equipe técnica da sua pasta está preparando um material que apontará quais os requisitos que a empresa interessada em administrar o parque terá que cumprir. Esse documento será divulgado entre as interessadas e, após isso, o governo começará a receber as propostas de um novo modelo de gestão. O secretário da Agricultura, Odacir Klein, observa que a propriedade do parque continuará sendo pública.