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  • 02/09/2018
  • 15:52
  • Atualização: 19:44

Farsul avalia a Expointer 2018 como magnífica

Impasse com presidenciável Ciro Gomes ainda repercute no Parque de Exposições Assis Brasil

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  • Luciamem Winck

"Encerramos uma magnífica Expointer, construída por animais, máquinas, discursos e reuniões". A avaliação foi feita neste domingo pelo presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, durante coletiva no Parque de Exposições Assis Brasil. Segundo ele, um dos eventos mais importantes da feira foi o encontro promovido em parceria com a  Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que tratou da certificação da carne brasileira. O Brasil, apesar de ser um dos principais exportadores de carne do mundo, também importa mais de 7 milhões de peças de carne anualmente. De acordo com a Plataforma de Qualidade CNA, para conseguir suprir esse mercado com produtos nacionais, os programas de carne certificada teriam que crescer 1000%.

Gedeão afirmou que entre os principais mercados dos quais o Brasil importa carne de qualidade são justamente os vizinhos do Mercosul, com destaque para o crescimento do Paraguai no cenário externo agropecuário. Na sua avaliação, o Brasil tem plenas condições de investir em qualidade, através da genética e dos programas de certificação, para ocupar uma fatia do mercado que hoje é suprida por outros países do continente. "Nosso produto tem qualidade, mas precisamos saber vender para o mercado externo", frisou Gedeão, acrescentando que o país não está conseguindo entrar no mercado gourmet justamente porque não tem a certificação.

 

O dirigente da Farsul ainda evidenciou a necessidade de pesados investimentos para eliminar os gargalos que emperram a cadeia produtiva. Segundo ele, é preciso duplicar as BRs 116 e 290 e retirar para a retirada de 3,5 milhões de m³ de sedimentos no porto de Rio Grande. "Acho fundamental que Farsul, Fiergs e Fecomércio estejam unidas na direção da abertura de vias de mão dupla com grandes mercados do mundo, especialmente a Ásia", frisou. O diretor administrativo da Farsul, Francisco Schardong, por sua vez, revelou que a área de pecuária movimentou 4% a menos em relação à Expointer 2017. "O setor movimentou R$ 10,2 milhões em 2018 contra R$ 10,6 milhões no ano passado", quantificou ele, acrescentando que o cavalo crioulo foi o carro-chefe das vendas.

 

Subsídios

A afirmação do presidenciável Ciro Gomes que, em sua visita à Casa Farsul, disse que o setor primário recebe incentivos fiscais de R$ 158 bilhões segue repercutindo entre as lideranças. O economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, afirmou que o governo não empresta mais dinheiro para a agricultura. Segundo ele, atualmente, de acordo com a Resolução 4.669 do Banco Central, os bancos podem destinar para crédito rural 30% de seus depósitos à vista. "Logo, a primeira fonte de recursos do crédito rural são os recursos depositados nos bancos e não recursos do governo", explicou.

 

A segunda fonte, conforme Luz, são os depósitos em poupança. A Resolução 4.614 do Banco Central  estabelece que as instituições financeiras oficiais e cooperativas de crédito podem direcionar 60% dos depósitos para o crédito rural. A terceira fonte são os recursos livres - outros valores que os bancos podem emprestar aos produtores, sem juro controlado. Lembrou que, em 2017, o governo federal gastou R$ 2,79 trilhões e o orçamento da agricultura correspondeu a 0,64% do gasto público. "Com o Programa Bolsa Família o Brasil gasta R$ 29,04 bilhões. Para cada real gasto com a agricultura, o governo destina R$ 1,89 para esse programa", comparou. "Além do valor ser extremamente baixo, sobretudo em comparação com nossos concorrentes, ele é ainda muito mal empregado, já que muito desses recursos ficam com atividades meio", completou. 

 


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