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Jornal > Juremir Machado da Silva

ANO 115 Nº 114 - PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 22 DE JANEIRO DE 2010

Os caras

 | Foto: João Luis Xavier

| Foto: João Luis Xavier


Crédito: João Luis Xavier



Não tem para ninguém. Os caras no mundo atualmente são dois brasileiros: Luiz Inácio e Ronaldinho Gaúcho. Azar de quem, por despeito, torce o nariz para eles. Luiz Inácio foi eleito o homem do ano pelo jornal francês Le Monde. Já o diário espanhol El País o escolheu como "personagem ibero-americano de 2009". O britânico Financial Times o colocou entre as 50 personalidades da década. Por fim, o Fórum de Davos vai homenageá-lo como "Estadista global" pela sua contribuição para melhorar o mundo. Os reacionários desmereceram a distinção francesa. A Rede Globo não deu um pio sobre o assunto no Jornal Nacional. Ah, se fosse o Dr. FHC! Os esquerdistas retrógrados vão desqualificar o mimo de Davos. De nada adiantará. Luiz Inácio está bombando. E indo em frente.

Quem diria, hein? O "analfabeto", o "sem dedo", o homem que dizia "menas", o "sapo barbudo", o "bebedor de cerveja", o retirante sem eira nem beira está embasbacando o mundo. Ingleses, franceses, espanhóis e até americanos tiram o chapéu para o metalúrgico nordestino. Obama tem razão: Luiz Inácio é o cara. Está mais do que provado: a rejeição a Luiz Inácio era puro preconceito ideológico, social e de classe. O vice-presidente José Alencar também só estudou até a quinta série do ensino fundamental. Ninguém fala disso. Ele é empresário. Vai ver que o mundo está louco. Onde se viu admirar tanto um político que nossa direita esclarecida insiste em rotular de demagogo, inculto, despreparado e até de burro? A conclusão é simples: inveja e pavor.

Ronaldinho Gaúcho também está deslumbrando a mídia global. O jornal Herald Tribune garante que o craque brasileiro formado no Grêmio "voltou a criar lances para os outros, gerando momentos que desafiam a imaginação". Mais: "Estão de volta a impudência de suas jogadas, os saltos acrobáticos, a capacidade surreal de escolher um colega e fazer um passe que comanda o movimento daquele jogador, além do sorriso dentuço que é sua marca". O Herald Tribune quer Ronaldinho na Copa da África do Sul. Eu também. Por aqui, continuamos a esculhambar Luiz Inácio e a chamar Ronaldinho de ex-atleta. Luiz Inácio e Ronaldinho vieram de longe. Percorreram o caminho do nada ao tudo. Vieram, viram e venceram. São dois gênios. Ronaldinho, depois de Pelé e Maradona, é o maior gênio da bola. Luiz Inácio é um gênio da comunicação política, um mestre da retórica sedutora e persuasiva, um doutor em estratégias e em negociação. Um monstro da palavra.

Luiz Inácio fez alguns gols de placa: conservou e aprimorou a política econômica de FHC, transformou o Bolsa-Escola no Bolsa-Família, uma política de assistência social de Primeiro Mundo (tem, sem um nome tão adequado, na França, na Alemanha e nos países escandinavos) e criou o fundamental ProUni, uma ideia do sempre tão combatido e vilipendiado gaúcho Tarso Genro. Ronaldinho Gaúcho fez do futebol uma festa para o olhar. O melhor é saber que Ronaldinho e Luiz Inácio são como Gisele Bündchen. Tem quatro ou cinco como ela trabalhando de caixa em cada supermercado dos nossos bairros.





JUREMIR MACHADO DA SILVA > correio@correiodopovo.com.br