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ANO 115 Nº 155 - PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 4 DE MARÇO DE 2010

Escola para a liberdade





Sofia Cavedon

Se as férias são tempos de liberdade, o tempo de aulas não precisa ser diferente. Aliás, ética e filosoficamente, não pode ser diferente. Amigos, aventuras, novos contatos, novos conhecimentos, caminhadas, brincadeiras são condições de vida, não apenas para férias. Liberdade é condição do ser humano, não de pequeno tempo de sua vida.

Freire propunha a educação como prática da liberdade, exatamente por percebê-la como direito de realização da humanidade de cada aluno e de cada educador. Então, ela não combina com padronização, média, passividade, autoritarismo, repetição, respostas acabadas. Rigorosidade, horários, rotinas, tempo de dedicação ao estudo - assumidos de forma consciente pelo sujeito da aprendizagem - proporcionam a construção do conhecimento e podem tornar-se algo prazeroso e produtivo. Foi deste jeito que os filósofos Sartre e Simone de Beauvoir provocaram corajosas polêmicas que desacomodaram verdades seculares opressoras, discriminatórias, injustas.

Hazel Rowley, estudiosa de ambos, relata que eles afirmavam que somos condenados a ser livre. Que não existe ordem natural, que as pessoas seguram o destino em suas próprias mãos. Cabia a elas determinar a substância de suas próprias vidas, inclusive a maneira que escolhiam para amar. Que ser livre é assustador. A maioria das pessoas, diziam eles, foge da liberdade. Eles, porque a abraçaram, produziram conhecimentos e práticas que interferiram decisivamente na vida das mulheres, no rumo da história. Foram discriminados e admirados porque combateram não só os grilhões da cultura, mas dos estados autoritários, da homofobia e da guerra.

Conduzir ao conhecimento que liberta é um grande desafio da escola. Precisa coragem para romper com a avaliação que seleciona ao invés de promover, que nega a individualidade, enquadra em padrões, premia ou castiga. Celebrar a diferença de cor da pele, de manifestação da sexualidade, de opção religiosa, de vivência cultural e não estigmatizar por elas. Coragem para problematizar a determinação cultural do papel, postura e lugar da mulher, em vez de naturalizá-la! Não há maior realização humana do que descobrir a liberdade. Descobrir-se sujeito. Realizar-se sujeito. É esta aventura maravilhosa que desejamos a educadores e alunos em 2010!

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