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ANO 115 Nº 193 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 11 DE ABRIL DE 2010

Museu de Percurso Negro tem escultura

 Tambor fica no antigo Largo dos Enforcados, praça Brigadeiro Sampaio, no Centro | Foto:  mateus bruxel

Tambor fica no antigo Largo dos Enforcados, praça Brigadeiro Sampaio, no Centro | Foto: mateus bruxel

Tambor fica no antigo Largo dos Enforcados, praça Brigadeiro Sampaio, no Centro
Crédito: mateus bruxel



Antigo Largo dos Enforcados, a praça Brigadeiro Sampaio recebeu sexta-feira o primeiro marco escultural do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre. Um tambor gigante, pintado em amarelo e com símbolos da cultura afrodescendente, resgata a memória da etnia na cidade.

O roteiro a céu aberto incluirá outros três pontos do Centro da Capital com história ligada à identidade negra. O projeto foi desenvolvido a partir de reivindicações da comunidade negra da Capital, onde a falta de representatividade no patrimônio cultural remete à "invisibilidade social" dessa parcela da população.

"Se observarmos a cidade, vemos que não temos representação material da cultura negra, é uma memória apagada", afirmou Pedro Vargas, um dos idealizadores do percurso dentro do Programa Monumenta. O museu começou a ganhar forma em 2007, com a pesquisa antropológica e museológica do percurso do negro. No ano passado, foram capacitados os artistas que começaram a concepção dos marcos esculturais. No mesmo ano, 18 jovens foram preparados para serem monitores do percurso. "Eles foram capacitados em oficinas com eixos temáticos que enfatizam a cultura negra", explica Sandra Maciel, do Grupo de Trabalho Angola Janga.

Além do tambor, na praça onde negros foram enforcados, o projeto do Museu de Percurso do Negro prevê a construção de outras três esculturas. Uma delas no antigo Largo da Quitanda, atualmente Praça da Alfândega, onde mulheres vendiam seus quitutes, com balaios de frutas secas, rendas e bordados. O percurso inclui também o Cais do Porto, local de trabalho dos escravos e também de rota de fuga por meio do transporte fluvial.

O roteiro é completado pelo pelourinho, localizado em frente à Igreja Nossa Senhora das Dores, lugar de súplicas dos africanos e de seus descendentes escravizados.