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ANO 115 Nº 194 - PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 12 DE ABRIL DE 2010

O talento de Weingärtner no Margs

 A pintura 'Procissão Interrompida' de 1899 mostra as pinceladas detalhistas do artista gaúcho | Foto:  margs / divulgação / cp

A pintura 'Procissão Interrompida' de 1899 mostra as pinceladas detalhistas do artista gaúcho | Foto: margs / divulgação / cp

A pintura 'Procissão Interrompida' de 1899 mostra as pinceladas detalhistas do artista gaúcho
Crédito: margs / divulgação / cp



A maior retrospectiva já realizada sobre a obra de Pedro Weingärtner (1853-1929) ganha abertura hoje, às 18h, para convidados, no Margs (Praça da Alfândega, s/n), e, amanhã, para o público em geral. "Um Artista entre o Velho e o Novo Mundo" reunirá 120 obras, oriundas de acervos de museus brasileiros e de colecionadores. Com curadoria de Ruth Sprung Tarasantchi, crítica de arte e pesquisadora, a mostra é resultado de um extenso estudo feito em parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e o Margs.

A curadora avalia que o público terá a oportunidade de fazer uma viagem no tempo ao apreciar cenas eternizadas por um "artista detalhista, minucioso, notável e de refinado domínio técnico e ambição naturalista". "Suas telas são um documento do cotidiano da população e das paisagens do Rio Grande do Sul e também de cidades europeias, onde o artista morou", diz. Os quadros pequenos são chamados por Ruth de "miniaturas" ou "joias".

A retrospectiva será organizada em três grupos e mostrará temas fundamentais da trajetória de Weingärtner. As obras serão separadas entre as realizadas durante o período no qual o pintor viveu na Europa, as cenas tipicamente gaúchas e as cenas de festas e bailes. As obras produzidas na Europa foram feitas durante os anos em que Wein-gärtner morou na Itália, com passagens por Alemanha, Portugal, Roma e França. Nelas, estão retratadas a juventude romana e cenas campestres europeias, além de temas mitológicos. Durante esse período, o pintor vinha do exterior para vender quadros em São Paulo e no Rio de Janeiro, e aproveitava para visitar algumas cidades do Rio Grande do Sul, de onde levava croquis de temas que lhe interessavam e que mais tarde virariam pinturas.

O segundo grupo abrange cenas campestres, do homem em contato com a terra, de animais e do comércio. No último segmento estarão as telas com o registro social das festas e dos bailes, principalmente os realizados entre os imigrantes alemães. Na abertura da mostra, um catálogo também será lançado, com imagens de todas as telas da retrospectiva e com artigos assinados por Ruth e outros especialistas.

Nascido em Porto Alegre, e proveniente de uma família de desenhistas e litógrafos de origem germânica, Weingärtner muito jovem embarcou para a Alemanha, de onde seguiu para a França e Itália, para desenvolver seu talento artístico. Passando a maior parte da sua vida entre dois mundos, um que começava a repudiar, o peso da própria tradição, e outro que lutava para construí-la, preferiu sempre a segurança das atitudes convencionais. A parte mais significativa da sua formação clássico-romântica adveio do período em que residiu em Roma. O artista filiou-se ao grupo In Arte Libertas, interessado em temas mitológicos, na vida popular e em paisagens rurais, que combinavam muito bem com seu jeito de ser.

No Brasil, ele encontrou mercado garantido no Rio e em São Paulo, onde o resultado de seu esforço era recompensado, com vendas de lotes inteiros de obras. No Rio Grande do Sul, a preferência do público incidia mais sobre retratos do que sobre temas mitológicos e paisagens. Entretanto, a circulação de suas telas temáticas ainda no final do século XIX, por diversas vezes, quebrou a monotonia cultural da capital do Estado. O interesse por temas regionais, tratados pela ótica romântica, contudo, não encontrou o desenvolvimento que se poderia esperar nas novas gerações de artistas locais.