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Jornal > Juremir Machado da Silva

ANO 115 Nº 217 - PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 5 DE MAIO DE 2010

Não sou Papai-Noel

 | Foto: ARTE DE JOÂO LUIS XAVIER SOBRE FOTOS CP MEMÓRIA

| Foto: ARTE DE JOÂO LUIS XAVIER SOBRE FOTOS CP MEMÓRIA


Crédito: ARTE DE JOÂO LUIS XAVIER SOBRE FOTOS CP MEMÓRIA



Sim, eu acredito em coincidências. Já disse isso outras vezes. Tenho certeza de que é mera coincidência terem sido empreiteiras os maiores financiadores do PT, do PSDB e do Dem em 2009. É sabido que construtoras jamais agem por interesse. Também estou convencido de que é mera coincidência as quatro maiores financiadoras dos partidos terem tido contratos milionários com governos. Matéria da Folha de S. Paulo diz que, "segundo as prestações de contas dos partidos entregues ao Tribunal Superior Eleitoral, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Carioca Christiani Nielsen e JM Terraplanagem transferiram para as principais siglas R$ 6,2 milhões". O PT teve como principais doadores "a Andrade Gutierrez (R$ 2,5 milhões), a Suzano Papel e Celulose (R$ 2,5 milhões) e a Carioca Christiani Nielsen (R$ 1,2 milhão)".

Por mera coincidência, todas essas generosas empreiteiras tiveram contratos com o governo em 2009, "sendo que quem mais recebeu foi a Carioca, segundo o Portal da Transparência (R$ 182,7 milhões)". Já a Andrade Gutierrez, que recebeu R$ 108 milhões, liderou o ranking de doadores do PT nos últimos três anos, tendo sido também "a principal financiadora de tucanos em 2007 e 2008". Acabaram-se as ideologias. Ficaram apenas os doadores de campanha. E as coincidências. Também é coincidência que muitas empreiteiras apareçam envolvidas em processos na Justiça relativos a operações obscuras envolvendo verbas públicas. Coincidência mesmo é esta: "O Dem teve receita de R$ 21,2 milhões - R$ 952 mil vieram de doações de empreiteiras. Todas as construtoras atuam em Brasília e receberam juntas R$ 267 milhões do governo de José Roberto Arruda (sem partido), acusado de ser o chefe do mensalão do Dem". A vida é uma roda mágica.

Outra coincidência recente aconteceu nos Estados Unidos. Aquele carro cheio de explosivos não era para um atentado. Estava no local, por coincidência, transportando material para outro depósito. As coincidências acontecem por toda parte. A Polícia de Porto Alegre garante que Eliseu Santos foi vítima de latrocínio. O Ministério Público afirma, com base numa carteira de trabalho, que um irmão de Eliseu Gomes, suspeito de envolvimento na morte do secretário, trabalhava na Reação, empresa acusada pelo MP de ter razões para encomendar a morte de Eliseu Santos. Simples coincidência. Isso ocorre todo dia: o irmão do funcionário de alguém, atuando em ramo distinto, dá o azar de participar da extinção do indivíduo incômodo. Posteriormente se estabelecem conexões abusivas. Uau!

Eu já fui confundido com Papai-Noel. Tudo não passou, claro, de uma lamentável coincidência. Eu estava todo de vermelho, com uma barba branca, uma enorme barriga postiça, conduzindo um trenó cheio de presentes puxado por renas, fazendo ho, ho, ho, quando alguém inventou, sem razão alguma, que eu era Papai-Noel. As crianças não tiveram dúvidas. Tentei explicar que era um engano. Mostrei evidências de que eu não era Papai-Noel. Tudo em vão. Coincidências são coincidências. Nada mais.





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