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ANO 115 Nº 35 - PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 4 DE NOVEMBRO DE 2009

Criada em Roque Gonzales a Associação Nheçuana

Escritores e historiadores participaram do ato de fundação da entidade, realizado na base do Cerro Inhacurutum
 | Foto: MARCO AURÉLIO MARQUES / ESPECIAL / CP

Escritores e historiadores participaram do ato de fundação da entidade, realizado na base do Cerro Inhacurutum | Foto: MARCO AURÉLIO MARQUES / ESPECIAL / CP

Escritores e historiadores participaram do ato de fundação da entidade, realizado na base do Cerro Inhacurutum
Crédito: MARCO AURÉLIO MARQUES / ESPECIAL / CP

Após o lançamento do Manifesto Nheçuano, no começo de setembro, em Roque Gonzales, foi criada nesse domingo, na base do Cerro Inhacurutum, também no município, a Associação Cultural Nheçuana. A proposta é a manutenção da luta para que ocorra a revisão histórica da 1ª fase das Missões Jesuíticas (1610-1637) e da figura do cacique-pajé Nheçu. Este foi um líder guarani do século XVII e autoridade nas terras ao Norte e ao Oeste da extensão do rio Ijuí, estendendo-se às margens do rio Uruguai.

A entidade pretende produzir eventos culturais para divulgação e debate do período histórico no qual viveu o cacique. Conforme o presidente da associação, Giani Schmidt da Silva, a intenção é divulgar o período por meios didáticos, registros audiovisuais e formação e preservação de acervo arqueológico.

O representante destaca que a intenção do resgate dessa fase é, principalmente, focar a abordagem a partir da experiência dos derrotados, ou seja, dos indígenas. Giani da Silva diz que a Associação Cultural Nheçuana, pretende mostrar que os guaranis tiveram sua cultura religiosa e social interrompida. Por essa razão, a introdução de novos costumes pelos jesuítas foi rejeitada. Como reflexo, houve uma ordem dada pelo cacique-pajé Nheçu de expulsar os padres durante a primeira fase missioneira. ''A história será revivida do ponto de vista oposto ao sustentado pela Igreja Católica'', diz Silva.

Ainda segundo Giani Schmidt da Silva, Nheçu se tratou do maior líder da resistência indígena, com postura contrária às mudanças de costumes impostas pelos brancos e em defesa de seu território.

Prestigiaram a fundação da associação escritores e historiadores que já trataram do tema, como Ruy Nedel, autor do livro ''Esta Terra Teve Dono''; Jair Weber Griebeler, estudioso da causa guarani e editor do jornal Igaçaba; Nelson Hoffmann, autor da obra ''Terra de Nheçu''; além de Plínio Ivar da Rosa, um historiador que prepara para breve o lançamento de um livro com a biografia de Nheçu.

Também estiveram presentes o prefeito de Roque Gonzales, João Haas, a primeira-dama, Sueli Haas, o editor do jornal cultural O Nheçuano, Marco Marques, e o presidente da Associação Cultural Sesmaria de Osório, Julio Cesar Ribas.