Correio do Povo - O portal de notícias dos gaúchos | Versão Impressa

Porto Alegre

32ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, quarta-feira, 23 de Janeiro de 2019

Jornal > Luiz Carlos Reche

ANO 115 Nº 74 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 13 DE DEZEMBRO DE 2009

Absurdos

 | Foto: cp memória

| Foto: cp memória


Crédito: cp memória

 Uma frase de Dorival Júnior, atual técnico do Santos, é emblemática: "Também acho um absurdo o que se paga para técnico de futebol, não fui eu que criei isto, e por estar envolvido no contexto, também tenho que ganhar bem". Numa entrevista que fiz com ele no programa "Preliminar", da Rádio Guaíba, ele deixa claro que se contentaria com menos, desde que a regra valesse para todos. Dorival não se acha melhor nem pior que ninguém e recebe R$ 300 mil/mês no Santos. E o Peixe se adiantou e ficou com ele, mesmo com o alto custo. Outros vão se contentar com menos, mas aí passarão a ideia de chinelões para o mercado. É incrível, mas é assim mesmo. Há poucos dias no "Ganhando o Jogo" da Rádio Guaíba (entre meio-dia e 2h da tarde), o diretor do Grêmio Aírton Ruschel disse exatamente isto. Se o sujeito não ganhar bem, não chegar de carrão no estádio, não vai ser respeitado pelo boleiro. Incrível como a aparência ainda influencia. Deve ser por isso que Vanderlei usa terno.

Zetti x Silas

A criatura superou o criador, mais uma vez. Silas já é mais do que Zetti como técnico. Silas foi auxiliar técnico do ex-goleiro, que depois dos 8 a 1 que tomou do Inter nunca mais se ajeitou. Silas falou muito de quem lhe inspirou no futebol, e jamais salientou Zetti.

Bola nas costas

O Inter tomou uma bola nas costas de Vanderlei Luxemburgo. Luxa cedeu a quase tudo que o Inter pediu no início, pois imaginava que seu mercado de milhões estava se esgotando. Apareceu um Atlético Mineiro e pronto. Tudo mudou. Vanderlei é movido a dinheiro. E pelo que me disseram, houve empresário que fez jogo duplo. Garantia para o Inter que estava tudo OK e ao mesmo tempo flertava com o Galo Mineiro. Pode? Claro. E este mesmo sujeito tem trânsito livre no Beira-Rio e já ganhou milhões em comissões. Que tem boi na linha eu tenho certeza. É a vida do futebol.

Refri dois litros

Uma vez fiz uma brincadeira aqui que repercutiu muito. Celso Roth seria uma espécie de refri dois litros. Perde o gás na metade. Este ano, o gás se foi só no finalzinho. Cinco derrotas nos últimos cinco jogos. Não é implicância, mas algo não vai bem com um técnico que nunca consegue matar. Nos últimos anos, ficou fora de duas decisões de Gauchão, perdeu vaga na Copa do Brasil para Atlético Goianiense, foi derrotado em quatro Gre-Nais, um de goleada, e nos dois mais recentes Brasileiros foi candidato ao título e fraquejou na reta de chegada. Um dia vai dar.

Luiz Adriano

O primeiro dono do ex-atacante colorado (incrível, mas jogador sempre tem dono) estaria descontente e investigando o processo que fez com que ele cedesse o direito para outro vender. Quando Luiz Adriano saiu para a Ucrânia foi por um valor. O empresário só recebeu um quarto do que seria do seu direito. Parece que até hoje está analisando como isso foi possível. Amigo: no futebol de agora tudo é possível e, às vezes, até provável. O atravessador ganhou mais que o detentor dos direitos. Curioso, não?

Dispensas e contratações

Grêmio e Inter têm muitos jogadores inscritos na CBF, para garantir vínculos destes com o clube. A triagem tem que ser permanente. O Inter tem 400 e o Grêmio, 150. Até para mandar embora é caro, pois tem que indenizar. Mas sempre o número de dispensas tem que ser maior do que o de contratações. Ao menos deveria ser. Do contrário, o clube pode quebrar, mesmo vendendo um medalhão de vez em quando por alta soma.

Penta ou Tetravice

O Inter é um time chegador. Tem uma infinidade de canecos, mas, inegavelmente, poderia ter muito mais. No Brasileirão, o Inter é penta ou tetravice: 87 (vice do módulo verde), 88, 2005 (foi prejudicado, mas fazer o quê), 2006 e 2009. É muita coisa. E olha que de 2002 para cá o Inter resolveu investir o que tinha e o que não tinha.

Histórias da vida

Maurício Estrougo era o vice de futebol do Inter. Estava apresentando o "Plantão Esportivo" da Guaíba, o programa que mais notícias deu em primeira mão durante 14 anos (a concorrência trocava de produtor a cada dois meses), quando resolvi perguntar para ele de uma possibilidade especulada em Santa Catarina sobre a contratação, pelo Inter, do então jovem Paulo Rink, que jogava na Chapecoense. Estrougo riu e desdenhou, Paulo o quê? Rico? Estrougo não conhecia, e poucos sabiam quem era, um dos bons atacantes que tivemos. Foi para o Atlético Paranaense e fez história ao lado de Oséas. Chegou a jogar até na seleção alemã, depois de se naturalizar. Seu maior destaque, no entanto, foi no Bayer Leverkusen. Paulo Rink encerrou a carreira no time paranaense em 2007.

Por onde anda

Loivo Ivan Johann. Nascido em 24/1/45 na cidade de Brochier. Casado com Luiza. Pai de Loivo Filho e Lucas. Se considera um sujeito de espírito jovem. Loivo Coração de Leão, batizado assim por Milton Jung pelo seu espírito brigador. Jogou no Grêmio no pior período, quando só dava Inter. Iniciou no Floriano (atual Novo Hamburgo) nos Juvenis, em 63. No ano de 1965, estava entre os profissionais. Já em 67, junto com Ari Ercílio, se transferiu para o Grêmio, onde permaneceu até 76. Foi trocado por dois zagueiros do Grêmio que foram para a capital do calçado: Oscar e Altair. Em 77, retornou para Novo Hamburgo. Depois esteve na Inter de Lajes e no Atlético de Carazinho, onde encerrou. Desde então, trabalha na empresa de alimentos da família, Johann alimentos. Quando seu irmão estava na presidência do Novo Hamburgo, foi vice de futebol. Se diz gremista e anilado. Lembra de cor o time de 65 do Floriano, que ele considerava um cano: Pétson; Aílton, Ari Ercílio, Trava e André; Luiz Fernando e Chameguinha; Miguel, Sapiranga, Raimundo e Loivo. No Grêmio, foi ponteiro de recuo, mas chegava bem à linha de fundo. Loivo acha que quem escalar hoje um time no 4x3x3 vai se dar bem. Para os jovens, deixa um recado: "É preciso estar sempre com a cabeça sadia". Loivo é outro exemplo de grande profissional.



LUIZ CARLOS RECHE > correio@correiodopovo.com.br