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ANO 116 Nº 122 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 30 DE JANEIRO DE 2011

Transferência de responsabilidades

O caso das inundações e enchentes que têm assolado o país traz uma importante discussão acerca do papel preventivo que o poder público deve tomar. Por outro lado, o debate não pode passar ao largo das consequências geradas pelas práticas de grande parte dos habitantes das grandes cidades ao descartar seu lixo nas vias públicas sem os devidos cuidados. Esse é um exemplo de como todas as pessoas, conscientemente ou não, podem contribuir para agravar situações já críticas ou para manter uma inércia que em nada contribui para solucionar questões prementes da vida em sociedade.

É bastante comum que haja reclamações acerca da qualidade dos políticos do país. Entretanto, fruto da democracia em que vivemos, eles foram colocados nos cargos que ocupam ou que ocuparam exatamente pelo voto popular, que os chancelou nas urnas. Assim, não dá para apenas criticar como se nada tivéssemos a ver quando ficamos sabendo de episódios nada edificantes, como as superpensões para ex-governadores, os atos secretos do Senado e o autorreajuste dos parlamentares em índices estratosféricos.

Igualmente o ambiente escolar está conturbado. Já se foi o tempo em que a atividade de professor era prestigiada. Atualmente, é comum que as escolas públicas, para engordar estatísticas, adotem mecanismos discutíveis de aprovação automática. Já os pais querem que a escola ensine aos alunos valores que deveriam ser aprendidos em casa, abrindo mão de seu papel. Outro descompasso se dá nos condomínios de moradores. Muitos reclamam de taxas e decisões, mas, na hora das assembleias, são raros os que aparecem.

O direito de crítica é próprio do exercício da cidadania. Contudo, temos não apenas direitos, mas igualmente deveres. O que acontece de bom ou ruim no país, muitas vezes, pode ser também fruto de uma omissão que custa caro.