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ANO 116 Nº 2 - PORTO ALEGRE, SÁBADO, 2 DE OUTUBRO DE 2010

QUEM FAZ

Seu lema é trabalhar com alegria

Anselmo Randon, um homem de sucesso consagrado que, aos 81 anos, nem pensa em se aposentar

Anselmo Randon, um homem de sucesso consagrado que, aos 81 anos, nem pensa em se aposentar

Anselmo Randon, um homem de sucesso consagrado que, aos 81 anos, nem pensa em se aposentar



Quem espera encontrar um "nono" bonachão, terá uma surpresa ao conhecer Raul Alselmo Randon. Dono de uma lucidez invejável e de um conhecimento de economia capaz de tontear muitos "PhDs", mesmo sem jamais ter sentado em um banco de universidade, aos 81 anos ele não para de trabalhar. Proprietário da indústria Randon, da Fras-le e da Rasip agroindustrial, Raul promete duplicar a produção dos famosos queijos Grana Padano, feitos em Vacaria. Com rara modéstia, divide com o irmão Hercílio, o "Nino", já falecido, o sucesso. Foi do pai, Abramo, que ganhou a bigorna com a qual abriu uma fundição, em 1950 - quando tudo começou. No próximo dia 4, em Caxias do Sul, o empresário autografa um livro com sua biografia.

Correio do Povo: Como nasceu a Randon?

Raul Anselmo Randon: Eu nasci em 6 de agosto de 1929, na localidade de Rio Bonito, hoje Tangará, em Santa Catarina. Meus pais, então, vieram para Caxias. Comecei a trabalhar aos 14 anos. Estudei em Encantado, mas voltei para Caxias para trabalhar na forja com meu irmão. Um dia, um incêndio destruiu tudo. Em 1951, fizemos uma sociedade com um amigo italiano, Ítalo Rossi, para produzir máquinaspara tipografia: nascia a Randon e Rossi Ltda., que durou um ano. Em dezembro de 1952, junto com Hercílio, nos associamos ao mecânico de automóveis Primo Fontebasso e constituímos a Mecânica Randon Ltda. Em 1970, participei de feiras na Europa. Nesta época, a população do Brasil era menor mas já fazíamos 700 reboques por ano. Resolvemos, então, produzir mil reboques por mês.

Como é sua vida hoje?

Sou casado há 54 anos com Teresinha Dagostini Randon e tenho cinco filhos. Quatro deles trabalham comigo. O mais velho é o diretor-presidente das Empresas Randon e o mais novo é diretor superintendente da Fras-le. Tenho 11 netos. Eu não penso em parar de trabalhar. Nos fins de semana, quando dá, vou a Vacaria ver a produção de maçãs da Rasip (Randon Agro Silva Pastoril), onde tenho 650 hectares que produzem 35 mil toneladas de maçãs. Aí, aproveito para nadar.

Como surgiu a ideia de produzir queijos?

Como um hobby. Então, viajei a Manerbio, província da região da Lombardia, onde Luigi e Vitório Prestini orientam-me na concretização da ideia de produzir queijos. A fábrica só nasceu em 1996, em Vacaria. Hoje temos 500 vacas holandesas, cujas matrizes foram importadas dos Estados Unidos, e produzimos de 45 a 50 toneladas de queijo. Para o próximo ano, vou construir uma nova fábrica e duplicar o plantel de vacas leiteiras. Quero chegar a 100 mil toneladas.

Algumas pessoas dizem que o senhor é um "rei Midas". Como o senhor vê isso?

Eu trabalho desde os 14 anos. Acredito nas minhas ideias. Trabalho para mim é alegria e sempre digo para o meu pessoal: tem que trabalhar com alegria.

O senhor tem alguma queixa contra alguma coisa?

Tenho. Criamos, em 2001, o grupo Florescer, ligado ao Instituto Elizabetha Randon Pró-Educaçãoe Cultura. O programa oferece educação, alimentação, ensino escolar e profissionalizante para mais de mil crianças e adolescentes de 6 a 14 anos em situação de vulnerabilidade social. Se o governo federal aplicasse o Florescer em todo o país, garanto que, em 20 anos, seríamos o melhor país do mundo. Mas veja, a Rasip gera 650 empregos diretos e, na época da colheita da maçã, empregamos 2 mil pessoas e não posso contratar menores de 18 anos, porque a legislação impede. Eu comecei a trabalhar com 14 anos.

O que é um líder?

Na minha opinião, é aquele que gosta do que faz e que procura sempre evoluir mais.

Seu conceito de sucesso.

É gostar de trabalhar. É ajudar o próximo. Eu sei que vou viver bastante, porque sei que as pessoas gostam de mim. Eu confio no ser humano até ele provar que não merece confiança.