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ANO 116 Nº 248 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 5 DE JUNHO DE 2011

O autônomo gestor

Autor do livro ''Empresas Esquecidas'', Fábio Zugman mostra como os profissionais liberais podem gerir o próprio negócio

'Quanto mais administrado o negócio, mais limpo fica o dia para trabalhar' | Foto: Tessália Serighelli / divulgação / cp

'Quanto mais administrado o negócio, mais limpo fica o dia para trabalhar' | Foto: Tessália Serighelli / divulgação / cp

'Quanto mais administrado o negócio, mais limpo fica o dia para trabalhar'
Crédito: Tessália Serighelli / divulgação / cp

Os profissionais autônomos normalmente dominam a técnica do seu negócio. Porém, muitos têm grande dificuldade de lidar com a administração da própria empresa. Segundo o autor do livro "Empreendedores Esquecidos" - um guia para Médicos, Advogados, Contadores, Arquitetos, Psicólogos e outros profissionais liberais, Fábio Zugman, a solução para essa questão está nos pequenos detalhes do dia a dia. Motivos esses que acabam gerando uma grande perda de tempo e de retrabalho. Professor de Administração, doutorando na área pela FEA-USP e mestre pela UFPR, Zugman também é autor dos livros "Administração para Profissionais Liberais" (Elsevier, 2005); "Governo Eletrônico: Saiba Tudo sobre Essa Revolução" (Livro Pronto, 2006); "O mito da Criatividade" (Elsevier, 2008); coautor de "Dicionário de Termos de Estratégia Empresarial" (Atlas, 2009) e "Criatividade sem Segredos" (Atlas, 2010).

Correio do Povo - Por que você escreveu a obra "Empreendedores Esquecidos"?

Fábio Zugman - Percebi que a maioria dos livros de empreendedorismo é voltada para quem abre empresa. Minha ideia foi tratar dos liberais empreendedores como médicos, advogados, arquitetos, contabilistas, jornalistas, etc. Eu quis passar essa noção, essa mentalidade de negócio, para ajudar esses profissionais a lidarem com uma visão falsa de negócio em que não é preciso se preocupar com a administração. A conclusão que eu cheguei é que as pessoas precisam desvincular aquela imagem de gestão com a de ter que abrir planilhas e tratar de assuntos burocráticos.

CP - E como deixar de ter essa ''visão falsa''?

Zugman - Primeiro, os autônomos têm que ter a mentalidade de que seu trabalho é um negócio. Que é possível ser um gestor ou um administrador. Mas esse público tem dificuldade de se ver como empreendedor. A dica, nesse caso, é conseguir parar de ser o técnico para ser o gestor do negócio, nem que seja por momentos. Uma ou duas horas por semana é o suficiente. Nesse tempo, o profissional vai organizar o seu negócio para que sua rotina seja mais tranquila. Eu costumo dizer que quanto mais administrado o negócio, mais limpo fica o dia para se trabalhar em paz. Se não, em cada momento, vai aparecer conta para pagar, coisas pra arrumar. "dar um jeito" gasta muito mais tempo do que organizar as atribuições administrativas.

CP - E como a rotina pode começar a ser organizada?

Zugman - A rotina tem que ser organizada para que o negócio ande sozinho. Basicamente, deve-se listar tarefas, determinar responsabilidades e avaliar a necessidade de terceirizar mão de obra. A gente tem mania de abraçar tudo. Às vezes, contratar um contador para organizar as finanças vale mais a pena do que tentar organizar tudo sozinho. Ter alguém para orientar com relação aos melhores investimentos também é um exemplo. Olha o tempo que se gasta na Internet tentando descobrir qual a melhor opção. Esses são os chamados custos invisíveis.O profissional precisa definir quais as camisas que vai vestir no seu dia. As outras, ele vai delegar. Ele tem que avaliar se o tempo aplicado traz retorno hoje e no futuro. Precisa se perguntar em que detalhes está investindo o tempo para que as situações não se somem e formem uma verdadeira bola de neve.

CP - Quais detalhes podemos citar como exemplo?

Zugman - Planejar é a melhor forma de economizar tempo e dinheiro. Estabelecer rotinas é importante, quando as contas serão pagas, quem faz as compras, quem recebe e cobra os clientes. Possuir processos bem organizados também fará diferença na qualidade de um serviço, além de evitar desperdícios e economiza tempo. Pensar na experiência total do cliente também é importante, pois o cliente nem sempre identifica os motivos da sua insatisfação. É útil formular cada etapa como uma pergunta: como um cliente em potencial descobre que você existe? Como ele marca um horário? Onde é atendido? Como é esse atendimento? O que acontece depois? Todos os detalhes devem ser pensados para criar uma experiência positiva ao cliente.

CP - Quais os erros mais comuns dos autônomos?

Zugman - O profissional liberal não tem o estoque. O valor dele é ele mesmo. Essa é sua grande diferença com relação a esses profissionais. Ele tem um valor social muito alto, pois trabalha com conhecimento. Isso faz com que se misture a identidade pessoal com a profissional. Se misturam os horários de trabalho e de lazer, as relações profissionais com as pessoais, o próprio dinheiro com o rendimento da empresa. Uma coisa é ligada na outra. E para mudar isso, é preciso mudar a mentalidade.