Correio do Povo - O portal de notícias dos gaúchos | Versão Impressa

Porto Alegre

26ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, quinta-feira, 24 de Janeiro de 2019

Jornal > Luiz Carlos Reche

ANO 116 Nº 304 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 31 DE JULHO DE 2011

Novo momento

Vivemos um novo momento no rádio. Grande parte dos medalhões se aposentou. A renovação é paulatina. A Rádio Guaíba de longe é a que mais revelou talentos nos últimos tempos. Muita gente (das antigas) tenta se firmar no grito. E isso, muitas vezes, é até ridículo. Sou um profissional e, ao mesmo tempo, ouvinte de rádio e cada vez mais me convenço que estamos no bom caminho. A Rádio Guaíba está sempre presente em todos os acontecimentos. Há pouco fez cobertura exclusiva dos Jogos Mundiais Militares. Estivemos na Alemanha ao lado do Inter. Um verdadeiro show. E estamos preparando uma grande cobertura para Inter e Independiente na Recopa. Este título pode ser mais um quesito na eterna comparação entre Grêmio e Internacional. Além do que a Guaíba já confirmou presença nos Jogos Pan-Americanos. Sobre equipe de rádio, entendo ser a da Guaíba a mais equilibrada do Estado (os técnicos gostam desta expressão), mesclando jovens com veteranos de qualidade. Eu entro no meio-termo (na idade).

Meninos

Gosto de um velhinho. Sou fã de Gilberto Silva, Juninho Pernambucano, Rivaldo, Índio, etc. Ainda acho que eles podem seguir jogando. Mas é inegável que, se tiver meninos com a mesma qualidade, eles acabam tirando os veteranos. O Inter lançou vários na Alemanha: Lucas Roggia, João Paulo, Zé Mário, Élton (que já havia aparecido e bem com o São Paulo) e Dalton. O caminho para recuperar as finanças é este. Tinha razão o Inter em não contratar. Errado estava o Falcão. Verdade que o Internacional terminou em terceiro no torneio de Munique. Isto é o que menos importa. Valeu a boa participação para o Colorado. Contratar por contratar é jogar dinheiro fora. E o Inter está endividado por este motivo.

Carvalho

No aniversário de 102 anos do Inter, no centro de eventos, lá em abril, na mesma sexta em que foi anunciado Falcão, Fernando Carvalho, fora dos microfones, dizia a três colegas nossos que Falcão não servia para o Colorado. E dizia: "Se era pra trocar, que fosse o Dunga ou então se mantivesse o Celso". Como disse Luigi, a segunda passagem de Falcão pelo Inter dá um livro.

Prova clara

Falcão segue batendo no presidente do Inter. Luigi também dá alfinetadas. Alguma coisa ainda não vazou. Um dia, quem sabe? A verdade é que um não topava o outro. E Giovanni tanto não acreditava em Falcão que pediu a ele que não deixasse o Inter tomar uma goleada na final do Gauchão.

Filho

Roberto Siegmann não admitia privilégios. É o que me contam. O filho do ex-presidente Vitório Piffero joga no Inter. O ex-vice de futebol entendia que ele deveria ser dispensado, por insuficiência técnica. Piffero não gostou. Vários antigos amigos agora estão em lados opostos.

Duda e Meira

O time do Grêmio, que está jogando, ainda é o do Meira e do Duda. À exceção de Gilberto Silva, todos os outros já estavam aí. O torcedor sabe disso e por este motivo protesta. Nunca o presidente Odone havia experimentado tanta vaia.

Curioso

O curioso é que o grosso da vaia vem da Geral. A torcida mais protegida pelo presidente. A briga política também abrange este segmento. A Geral vai virar corrente política. O que antes dava sustentação a uma candidatura, agora virou adversário. Isso é perigoso. Movimentos organizados se metendo em administração não dá certo. Vide River Plate.

Julinho Camargo

Não sei qual a era a intenção do Grêmio ao contratar Julinho. Aliás, sei. As apostas anteriores de Odone com técnicos pouco testados deram certo. O Julinho merece respeito. Sofreu agora alguns percalços e já veio a onda. Por favor, deixem o homem trabalhar. Julinho pode não ser o melhor, o mais indicado para o momento, mas, com certeza, Celso Roth também não.

Por onde anda

Paulo César Magalhães nasceu em 27/03/1963, em Santana do Livramento. Campeão do mundo pelo Grêmio. Veio para Canoas com 7 anos. Aos 10 anos, foi para o infantil do Tricolor. Com 16 para 17 anos já foi guindado à equipe de cima por Ênio Andrade. Jogou em todas as seleções amadoras. Ficou 12 anos no Grêmio, incluindo todo o período do amador. Logo depois do Mundial, em 84, foi vendido para o Vasco. Voltou para o Inter e aí andou pelo Brasil. Vitória, Remo, Goiás, Concórdia, Juventus de Santa Catarina, São Paulo de Rio Grande, 15 de Novembro de Campo Bom e Novo Hamburgo, onde encerrou. Como treinador começou no Novo Hamburgo, trabalhou no Canoas, teve escolinha e chegou no Cerâmica. Trabalha desde o começo no projeto que conduziu o time de Gravataí à Primeira Divisão. Foi técnico da equipe e hoje é gerente de futebol. Na época de atleta, tinha um trio inseparável com Paulo Roberto e Renato. Paulo Roberto rompeu com Renato, mas ele segue amigo. Inclusive o Cerâmica sempre treinou contra o Grêmio, preparando-se para subir. Diz ter ganho o suficiente para levar uma vida boa, pois sempre soube guardar parte do que recebia.

História da vida

Preparamos um programa especial para um dos jogos do Brasil na Copa de 94. Brasil e Holanda. Quartas de final, em Dallas. Iríamos gravar para que saísse tudo perfeito. Gols, entrevistas, debates, tudo pronto. Eis que, em Porto Alegre, Dilonei Francisco Melara resolve aprontar. Ele foi o líder da maior rebelião do sistema prisional gaúcho, culminando com a invasão do hotel Plaza por um táxi. Um policial foi morto naquela noite e houve troca de tiros e perseguição por várias horas. A Guaíba conversou com ele. Acalmou e foi uma cobertura histórica. Azar nosso. Esperamos em vão para gravar. No outro dia fomos mais cedo ainda pro estádio e fizemos tudo ao vivo. Melara foi morto recentemente e era meu conterrâneo de Lagoa Vermelha.

LUIZ CARLOS RECHE | lcr@radioguaiba.com.br





LUIZ CARLOS RECHE > correio@correiodopovo.com.br