Porto Alegre

20ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, domingo, 25 de Junho de 2017

Jornal > Cidades

ANO 116 Nº 330 - PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 26 DE AGOSTO DE 2011

Passo Fundo

Escritores repensam as oficinas literárias

Para Charles Kiefer (E), escrita inovadora melhora qualidade da literatura | Foto: max censi / divulgação / cp

Para Charles Kiefer (E), escrita inovadora melhora qualidade da literatura | Foto: max censi / divulgação / cp

Para Charles Kiefer (E), escrita inovadora melhora qualidade da literatura
Crédito: max censi / divulgação / cp

Autores gaúchos debateram tema ontem, em evento da 14 Jornada

O futuro das oficinas literárias norteou os debates dessa quinta-feira do 3 Encontro Estadual de Escritores Gaúchos, que integra a 14 Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo. O tema "Oficinas de literatura: como são, para que existem e que futuro têm" foi o foco da conversa dos autores Charles Kiefer, Jane Tutikian, Luiz Antonio de Assis Brasil e Marcelo Spalding com o público.

Assis Brasil, que também é secretário estadual da Cultura, disse que conceituar essas atividades é o primeiro passo para compreendê-las melhor. Ele salientou que essas práticas são os elementos de formação do escritor, prevendo que o futuro delas está ligado às universidades, com o oferecimento de cursos de escrita criativa. Charles Kiefer destacou um fator novo e motivador da alta demanda por oficinas: os blogs. Lembrou que milhões de pessoas têm essa ferramenta e muitas percebem que é preciso qualificar a escrita. Para o escritor, é a partir desse contexto que a procura por oficinas tem aumentado, já que, segundo ele, o texto criativo passa longe dos cursos de Letras. Conforme Kiefer, a escrita inovadora vai melhorar cada vez mais a qualidade da literatura.

Jane Tutikian disse que sua trajetória profissional é fruto de uma oficina literária, realizada com autores como Moacyr Scliar e Josué Guimarães. Conforme ela, essa atividade é uma fase imprescindível na vida do escritor, pois introduz a técnica, orienta a leitura e estimula a produção. Jane afirmou ainda que não dá para conceber um escritor feito só de ideias românticas. Para ela, hoje se constata a substituição do autor amador pelo que tem técnica. Ressaltou que não se concebe um autor sem a capacidade de refletir sobre o que faz.

Já Marcelo Spalding contou que, depois de lançar o primeiro livro, foi realizar uma oficina literária, oportunidade em que reaprendeu a ler e a escrever. Na avaliação do autor, mais do que formar escritores, essa atividade forma leitores e orienta a leitura.

Spalding revelou também que tem estudado a relação da literatura com as novas tecnologias. Para o escritor, sem os leitores não haverá livros, sejam os impressos ou os digitais. O encontro termina nesta sexta, quando também se encerra a 14 Jornada Nacional de Literatura, promovida pela Universidade de Passo Fundo e pela prefeitura.