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ANO 116 Nº 61 - PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 30 DE NOVEMBRO DE 2010

Historiador analisa impactos da Internet

Na rede, há o problema de ''não ser esmagado pela imensidão de dados''

Ginzburg foi o palestrante no encerramento do Fronteiras do Pensamento | Foto: vinícius roratto

Ginzburg foi o palestrante no encerramento do Fronteiras do Pensamento | Foto: vinícius roratto

Ginzburg foi o palestrante no encerramento do Fronteiras do Pensamento
Crédito: vinícius roratto



Ohistoriador italiano Carlo Ginzburg, autor, entre outros livros, de "O Queijo e os Vermes", foi o palestrante da noite de encerramento da quarta edição do Fronteiras do Pensamento 2010, ontem à noite, no Salão de Atos da Ufrgs. Considerado pioneiro no estudo da micro-história, Ginzburg, aos 71 anos, conferenciou sobre "História da Era Google".

Conforme o pesquisador, todos são influenciados pela Internet e pode-se pressupor que o impacto ocorra com naturalidade, mas ele deve ser visto de forma analítica, inclusive separando-se os conceitos de processo histórico e historiografia (descrição de acontecimentos) antes de falar sobre em que medida os discursos sobre a história a alteram.

O estudioso apontou que a questão de se ter diferentes testemunhos não é um fato novo para a história, mas na rede a escala de vozes se torna mais intensa. "A qualidade do fenômeno não é nova. O que importa é como lidar com a quantidade de informação disponível na Internet. Em primeiro lugar, há o problema de não ser esmagado pela imensidão dos dados e, em segundo lugar, de como lidar com as informações, fazendo perguntas relevantes e evitando as superficiais antes de se encontrar as respostas já criadas."

O historiador está realizando, via estudo de caso, uma ampla comparação religiosa no marco da expansão colonial europeia. "Andei trabalhando sobre Maquiavel e talvez comece a fazer isso de novo", adiantou.