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Jornal > Luiz Carlos Reche

ANO 117 Nº 149 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 26 DE FEVEREIRO DE 2012

Favoritismo existe

Por mais que se valorize a mística dos clássicos e a força de superação de ambos, a história dos Gre-Nais mostra que há favoritismo. Dorival se irritou comigo quando lhe perguntei se o Inter não subestimou o Grêmio. Disse que quem apontou o Colorado como favorito foi a imprensa. Verdade. Porém, o que se viu em campo foi um time apático do Inter. Este mesmo Colorado cantado em prosa e verso por nós. Merecidamente. Favoritismo sempre existiu. A imprensa medrosa e metida a imparcialíssima ficava em cima do muro. É verdade que Gre-Nal é Gre-Nal, mas não é menos verdade que, na década de 70, o Inter era melhor e ganhava quase todos os clássicos. Em 80 e 90, inverteu-se. E, nos anos 2000, o Inter está melhor e vencendo mais. Não há dúvida que sempre tem favoritismo. Às vezes, não se confirma. E sobre não entrar mordendo, um dirigente do Inter disse a frase: "Parece que estávamos falando para as paredes". Eu tinha razão, então?

Frase do Pelaipe

É exatamente na frase do Paulo Pelaipe que me atenho neste tópico. Disse Pelaipe: "O Grêmio não era aquela ruindade que apresentou contra o São José, nem é essa maravilha que jogou contra o Internacional". Concordo em gênero, número e grau. O Grêmio nem estaria classificado não tivessem tirado os pontos do Cruzeiro. Então, dava a ideia, para alguns, que nada prestava. Não é assim. Lembro daqueles times considerados fracos do Grêmio, com Mano e Roth. Um terminou vice da América e outro, vice brasileiro. Problema do Grêmio dos últimos tempos é a comparação com o Inter. Por isso, toda comemoração de uma vitória em Gre-Nal.

Multidisciplinar

Vanderlei disse que levou comissão multidisciplinar só para Seleção Brasileira. Não é verdade. Em 2008, quando foi para o Palmeiras, levou toda sua turma. "Sou acusado de sempre levar minha patota, mas sou barato pelo retorno que dou ao clube", dizia na época. E lembrava que no Santos "Filé", fisioterapeuta, fez o Pedrinho jogar mais de 50 jogos numa temporada, o que antes parecia impossível. E no Atlético Mineiro levou até Wagner Tardelli para ser analista de comportamento de árbitros (ou instrutor de arbitragem).

Solidariedade

Se o Inter imaginasse que tomaria esta chinelada do Grêmio, teria ficado solidário com o Cruzeiro, que ficou fora por punição do tribunal? E o Santa Cruz que pediu a perda de pontos do coirmão, está satisfeito, mesmo não tendo alcançado seu objetivo de classificar? O mundo é uma bola que gira o tempo todo.

Presidente

O presidente Odone disse que Vanderlei Luxemburgo não é aprendiz. Será que ele estava se referindo a Mancini, Julinho Camargo, Caio Júnior, ou Renato? Seria uma autocrítica, já que três destes quatro foi ele que contratou? Mano Menezes era principiante em time grande e deu certo. É relativo, não é presidente? E a camisa 23 voltada para as câmeras. Azar, coincidência ou...

Odone e Anápio

No clássico passado, o vice de futebol do Inter tocou flauta dizendo que os reservas do Colorado eram suficientes para encarar o Grêmio. Naquele clássico específico sim, mas, no de quarta passada, nem os titulares conseguiram segurar o adversário. O Grêmio usou e muito a frase de Anápio. Agora Odone faz a mesma coisa. Ao perguntar se Oscar jogou, o presidente tricolor insinua que bem marcado ele não é tudo isso. Teremos mais Gre-Nais pela frente e tudo serve como arma.

Indenizações

Vanderlei recebeu duas grandes indenizações para sair do Atlético Mineiro e do Flamengo. No Atlético tinha contrato de dois anos e foi indenizado depois de perder 15 em 24 partidas. E no Flamengo se desentendeu e faturou R$ 4 milhões. Tomara que aqui vá bem, senão vai ser muito caro. Embora com o Grêmio, o contrato só vá até 31/12.

Por onde anda

Marcelo Rosa da Silva, nascido em 29/01/1976, em Porto Alegre, casado com Micheli, pai de Matheus Henrique e Marcelo Jr. Um sujeito alegre, sempre. Largou no final do ano. Faz cursos para ser treinador. Começou no Cruzeiro, de Porto Alegre, passou pelo Grêmio e depois ficou até 2002 no Inter, entre idas e vindas. Portanto, por 13 anos. No Colorado, o principal ano da carreira foi em 1997, quando o Inter fez uma grande campanha no Brasileirão e ele revezava com Arílson na titularidade. Foi campeão da Copa Mercosul pelo Flamengo em 1999. Jogou seis meses no Japão, um ano na China, ao lado de Argel, e no Servette, da Suíça, onde tem orgulho de ter jogado uma Copa da Uefa, sonho de todos, além do Independiente de Medellín. Atuou em clubes menores como América de Natal, Mogi Mirim, Marília, Criciúma e Ypiranga, de Erechim. Sempre ajudou a família. Está bem de vida. Adora o avô Cabral, que o criou e, mesmo aos 85 anos, é seu parceirão.

Histórias da vida

Cheguei a pensar em Roger, vencedor do último Gre-Nal, para ser comentarista da Rádio Guaíba. Pela sua história, pelo seu comportamento e pelo bom português. Testei em um jogo em 2010 e gostei. No entanto, Roger sempre quis voar mais alto dentro do futebol. Ficamos de conversar, mas suspeito que perdi a vez.

Luiz Carlos Reche

lcr@radioguaiba.com.br



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