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ANO 117 Nº 276 - PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 2 DE JULHO DE 2012

Hipólito José da Costa

Carlos Roberto da Costa Leite

"O Dia Nacional da Imprensa no Brasil", a partir da lei 9.831, de 13 de setembro de 1999, é comemorado no dia 1 de junho, quando circulou, em Londres, em 1808, a primeira edição do jornal Correio Braziliense ou Armazém Literário (1808-1822), fundado por Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (25-03-1774 - Colônia do Sacramento / 11-09-1823 - Londres). Anterior a essa lei comemorava-se, desde o Estado Novo (1937-1945) de Getúlio Vargas, o dia 10 de setembro, data do surgimento do Órgão Oficial do governo português, a Gazeta do Rio de Janeiro, criado após a chegada de dom João e a Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808. Após longa e persistente luta de associações jornalísticas, intelectuais e profissionais ligados à área, liderados pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI), mudou-se a data comemorativa do surgimento da Imprensa no Brasil para o dia 1 de junho.

Devido à censura Régia no Brasil, o gaúcho Hipólito José da Costa lançou na Inglaterra o Correio Braziliense, cujo conteúdo despertou o ódio e o revanchismo dos políticos corruptos e do clero retrógrado (Inquisição). O mensário era impresso em português e teve sua circulação proibida, sendo vendido clandestinamente no Brasil e em Portugal. Iniciou sua circulação, sendo impresso na oficina tipográfica do sr. W. Lewis, na rua Paternoster - Row. A partir de 1816, passou a ser impresso nas oficinas de L. Thompson, também, em Londres. A denominação de Armazém Literário era devido à variedade de temas que apresentava em suas páginas.

Hipólito José da Costa, por meio do seu periódico, apontou os erros da administração portuguesa no Brasil, lutou pela liberdade de expressão, combateu abusos da aristocracia e condenou o sistema colonial escravagista. Os ideais liberais foram a força motriz do seu jornal e prepararam a elite política que foi responsável pela concretização da nossa independência em setembro de 1822.

As edições variavam de 80 a 140 páginas, sendo que o número de agosto de 1812 circulou com 236 páginas. O mensário circulou, de junho de 1808 a dezembro de 1822, somando 175 edições agrupadas em 29 volumes. O Correio Braziliense possuía as seguintes seções: Política, Comércio e Artes, Literatura e Ciências, e Miscelânea que abrangia reflexões sobre novidades do mês, e Correspondência. Nas reflexões eram debatidos assuntos relativos ao Brasil. O exemplar avulso no Rio de Janeiro custava o valor de 1.280 réis.

O Correio Braziliense encerrou sua circulação em dezembro de 1822, quando seu editor concluiu que sua missão doutrinária havia terminado. Na edição de número 173, Hipólito José da Costa anuncia e comenta a Independência do Brasil, acreditando que ocorrera, no dia 3 de junho de 1822, data da convocação da Assembleia Constituinte do Brasil. O periódico circulou durante 14 anos e meio. Segundo Barbosa Lima Sobrinho, o Correio Braziliense se manteve sempre fiel aos objetivos para os quais foi criado: lutar pela liberdade de pensamento e combater o despotismo dos poderosos.

coordenador do setor de Imprensa do Musecom



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