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ANO 117 Nº 366 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 30 DE SETEMBRO DE 2012

Está chegando a hora

 | Foto: JOÃO LUIS XAVIER

| Foto: JOÃO LUIS XAVIER


Crédito: JOÃO LUIS XAVIER

Não, não vou falar do plágio musical dos anos 40 (século passado) que se transformou num sucesso como canção de despedida ("Ai, ai, ai, ai, tá chegando a hora/ o dia já vem raiando, meu bem/ eu tenho que ir embora..."). A cópia descarada é do clássico mexicano de 1882 "Cielito Lindo". A hora que está chegando é o da eleição municipal, na qual o cidadão brasileiro escolhe livremente os políticos que estão diretamente ligados à sua qualidade de vida. Sim, essa qualidade de vida que nós buscamos todo o santo dia, desde que saímos de casa. E nós saberemos escolher os melhores administradores de nossa cidade ou vamos continuar repetindo burramente que "político é tudo igual?". Será que nossa ficha já caiu? Se todos são iguais e continuam políticos, a culpa é mesmo de quem? Deles, com suas promessas, ou nossa que acreditamos neles e nelas quando poderíamos, perfeitamente, antes de sufragar seus nomes na urna, saber quem são e quanta competência têm para nos pedir votos? Eleição municipal é tão importante como eleição presidencial. Não é o presidente que manda consertar o esgoto a céu aberto nem o semáforo que não funciona em dia de chuva. Podem crer: é a administração municipal que chega primeiro numa catástrofe para ajudar as vítimas e fazer os levantamentos da tragédia. Quem se responsabiliza pelo nosso conforto diário (ou desconforto) é o prefeito que iremos escolher e seus avalistas que fazem as leis que irão consolidar os nossos anseios. Precisamos aprender a separar o discurso demagógico, muitas vezes sedutor, mas sempre irreal e irresponsável. Candidato não disputa concurso de beleza e nem é para ser convidado a participar de nossa intimidade. A "beleza" de um postulante a cargo público deveria ser medida das sobrancelhas para cima. A sedução de um político não pode estar nos seus gestos nem na sua maquiagem na TV, mas no seu programa de governo que, uma vez apresentado, será a nossa motivação para votar nele. Mas não basta somente um programa de gestão, se não for cobrado periodicamente por aqueles outros candidatos que nos representarão na Câmara de Vereadores. Prefeituras e Câmaras de Vereadores são os rostos das cidades e também, acima de tudo, o nosso rosto. Cada cidade tem o governo que merece. E a culpa, quando houver, será de todos nós eleitores, pelo voto malposto (agora digitado) na urna.

Nossa sujeira

Tomando como exemplo a Capital gaúcha, sempre seremos assediados pela pergunta sobre a sujeira do arroio Dilúvio. A culpa é das autoridades municipais ou de gente mal-educada que joga o seu lixo no arroio seja uma garrafa PET ou um fogão velho?

Transporte coletivo

Porto Alegre tem um sistema de transporte coletivo com linhas bem distribuídas, veículos novos e um atendimento ao usuário que poderia ser melhor, caso houvesse mais rigor na fiscalização. E quem fiscaliza esse serviço? O primeiro fiscal deveria ser o próprio usuário e o retorno imediato por parte da administração do setor. Do nosso voto sairá o melhor administrador do ônibus que pegamos todos os dias.

Alagamento

A cidade tem um bom sistema de escoamento pluvial, considerando o modelo das cidades brasileiras. O alagamento é tão-somente a falta de mais obras de esgotamento das enxurradas periódicas ou ele se dá pelas bocas de lobo entupidas de lixo produzido pela falta de educação do "cidadão?".

Segurança (1)

A (falta de) segurança pública motiva todos os candidatos. Qualquer pessoa mais ou menos informada sabe que os municípios são limitados constitucionalmente para uma ação mais efetiva para prender bandidos, por exemplo. Mesmo assim, os apelos por votos prometem uma segurança pública impossível de ser executada pelos prefeitos e muito menos pelos vereadores.

Segurança (2)

Pelas promessas ouvidas dos candidatos, a Guarda Municipal de Porto Alegre teria que contar com um efetivo superior ao da Brigada Militar e com treinamento que faria inveja às forças especiais dos maiores exércitos do planeta.

Na hora do voto

No próximo domingo estaremos escolhendo aqueles que nos governarão em nossos municípios. Nosso voto não pode ser para o mais simpático (a), o mais amigão de todos, para o "cara que sabe contar piadas na turma" ou para o Juquinha da borracharia. Vamos apenas votar em quem nós acreditamos que saberá administrar a cidade - na prefeitura e na Câmara de Vereadores - como nós sabemos gerenciar a nossa vida.

Rogério Mendelski

rogerio@radioguaiba.com.br



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