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ANO 117 Nº 366 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 30 DE SETEMBRO DE 2012

Ofensiva contra o juro que ninguém vê

O consumidor brasileiro tem consciência de apenas uma pequena parcela do que paga efetivamente de juros. Essa é a conclusão de um estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, feito com base em cruzamento de dados do Banco Central e da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE. Conforme o estudo - com valores referentes a 2008, ano-base do último levantamento do IBGE -, as famílias brasileiras desembolsaram R$ 170 bilhões, mas a percepção é de somente 1,9% desse valor, ou seja, R$ 3,2 bilhões. Com esse cenário, o governo prepara nova investida contra o custo financeiro no Brasil, e o foco é o juro que ninguém vê.

O BC analisa alternativas para uma nova legislação, que dê transparência financeira e espaço para a criação de produtos voltados à nova classe média. Uma das medidas analisadas é determinar que seja mostrado o Custo Efetivo Total (CET) das operações, como taxas embutidas nos parcelamentos e desconto no preço à vista. Para a diretora de projetos da SAE, Diana Grosner, o problema da invisibilidade dos juros atinge todas as classes sociais, "mesmo a classe alta, que parece não estar conseguindo perceber o que paga".

Uma das hipóteses analisadas pela SAE é que parte da população confunde endividamento com inadimplência, e não percebe a dívida contraída quando compra a prazo. Há o alerta para o consumidor que paga taxas exorbitantes no rotativo ou no parcelamento de dívidas no cartão.