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ANO 117 Nº 366 - PORTO ALEGRE, DOMINGO, 30 DE SETEMBRO DE 2012

Qualidade cria supervacas

Com a silagem, que a vaca produz até o 6º dia, é possível alimentar a terneira por dois meses | Foto: mateus bruxel / cp memória

Com a silagem, que a vaca produz até o 6º dia, é possível alimentar a terneira por dois meses | Foto: mateus bruxel / cp memória

Com a silagem, que a vaca produz até o 6º dia, é possível alimentar a terneira por dois meses
Crédito: mateus bruxel / cp memória

O início da vida da futura matriz produtora de leite é um momento importante na propriedade. É necessário proporcionar um ambiente higiênico e confortável para o parto. Daí em diante, inicia-se um momento delicado, que é o da administração do colostro.

Essa substância tem variações de qualidade e é importante, lembra o veterinário da Ordenhadeiras Sulinox, Lissandro Mioso, que o produtor saiba o nível de proteína da substância, que pode ser medida com um colostrômetro. Estudos americanos mostraram que de 40% a 60% dos colostros não apresentavam densidade adequada, indicada em 55g/l de concentração de proteínas totais. "Fazendo o teste e administrando esse leite especial de forma higiênica, criaremos bezerras mais fortes, com maior capacidade de expor seu potencial genético, aumentando a produção", observa.

Com base na pesquisa da University of Arizona e do U.S National Animal Health Monitoring System, órgão do Usda, uma empresa dinamarquesa desenvolveu um colostrômetro que, além de medir a qualidade da substância, a envasa e descongela posteriormente. O equipamento é distribuído aqui no Brasil, ao custo de R$ 16 mil. É aconselhável um freezer exclusivo para armazenamento do colostro.

Carla Bittar, do Departamento de Zootecnia da USP, fala sobre a importância de se armazenar apenas o colostro de qualidade. Este material, guardado no chamado banco, deve passar por controle de qualidade, focando somente na armazenagem de material com alta concentração de anticorpos. Assim, se garante o produto em quantidade e qualidade adequadas para todos os recém-nascidos. Em algumas situações, lembra Carla, o animal recém-parido, principalmente as terneiras, pode produzir colostro em volume e/ou qualidade inadequada, sendo então interessante recorrer ao banco de colostro.

Apesar da praticidade do equipamento que auxilia neste processo, o alto custo ainda é um empecilho ao pequeno produtor. É aí que entra a técnica de silagem de colostro, desenvolvida pela Emater de Pelotas. A alternativa conquistou produtores e cooperativas. Com mais de 3 mil produtores de leite associados, a Cooperativa Piá, de Nova Petrópolis, difunde a técnica da silagem de colostro da pesquisadora Mara Helena Saalfeld, da Emater de Pelotas, entre os associados. Segundo o coordenador da assistência técnica da cooperativa, Carlos Schuenemann, a vantagem de usar o produto é tanto para o produtor como para a cooperativa. "Depois dos seis dias de colostro, toda a substância que a vaca produz, é necessário alimentar o filhote de 60 a 80 dias. Se for feita a silagem, é com isso que o animal será alimentado. Caso contrário, o produtor usa o leite que seria para venda para alimentar a bezerra ou leite em pó, que é mais caro", argumenta Schuenemann.

INFORMAÇÕES AO PRODUTOR

O objetivo da criação correta das terneiras é a obtenção de um ganho de peso nos primeiros seis meses de 550 gramas/dia a 600 gramas/dia. Desta forma, há condições de inseminar estas novilhas dos 14 aos 16 meses de idade com peso adequado de 250 e 350 Kg, das raças Jersey e Holandês, respectivamente.

Em experimentos realizados, a média do ganho de peso dos animais alimentados com silagem de colostro no primeiro mês foi de 823g/dia e, no período de seis meses, 667g/dia, sendo superior aos dados de ganho de peso dos alimentados com leite integral.

Nos 60 dias de criação, a terneira consumindo a silagem de colostro libera para a venda 240 litros de leite. Isto significa ao produtor uma renda de mais 240 litros, ou R$ 187,00, computada como renda líquida, já que este leite seria usado com as terneiras. Para ter este lucro, o produtor precisa vender mil litros.

A percentagem de proteínas e de matéria seca é maior que a encontrada no leite, mesmo após a diluição do colostro em água. A substância fermentada apresenta uma cor semelhante ao colostro fresco, tem odor ácido, agradável.

Fonte: Emater