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ANO 117 Nº 62 - PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 1 DE DEZEMBRO DE 2011

A nossa Polícia Civil

Isaac Ortiz

Leio no Correio do Povo desta quarta-feira, dia 30 de novembro, artigo do delegado de Polícia Roger Spode Brutti. Segundo ele, os agentes policiais criam pretexto para o governo negar aos delegados um reajuste de mais de 100%. Ele defende abismo salarial com a equiparação de vencimentos de delegados e procuradores.

Ao acusar a base pelos alegados reveses do topo da pirâmide remuneratória da Polícia Civil, inverte-se a realidade. É como culpar o negro pela escravidão, a mulher pelo espancamento ou a criança pelos maus-tratos.

Os delegados não querem proximidade com os agentes, apesar de ambos serem policiais e estarem sujeitos a um mesmo estatuto. A Ugeirm/Sindicato lidera os agentes e, por duas vezes, procurou a representação dos delegados para campanha salarial unificada. Não teve resposta.

Não nos importa o nome: realinhamento, equiparação ou verticalidade. Queremos patamar remuneratório condizente para todos os policiais, repelindo duas castas: uma miserável e outra bem paga.

A Polícia Civil não é feita somente de delegados, mas também de agentes. Quando se chega a uma DP, quem registra, promove investigação, cumpre mandados e remete feitos para o Judiciário é o agente - em incontáveis oportunidades, sem a presença de delegado que assina expedientes. Eis a realidade.

Resolução do Conselho Nacional de Justiça afirma, ademais, que agentes têm preparo jurídico e exercem função técnica. Não se pode aceitar injustiça salarial.

Como um delegado que responde por três DPs cumpre com todas as atribuições que o articulista afirma haver na letra fria da lei? Como estar nas três DPs ao mesmo tempo? Nessas delegacias, agentes policiais fazem, não raras vezes, todo o trabalho. Sim, há delegados que cumprem com suas atribuições e reconhecem legitimidade na luta incansável dos agentes.

Temos 150 cidades com apenas um ou dois policiais lotados. Esses agentes cumprem plantões de sobreaviso 30 dias por mês. Não ganham nada por isso, nem hora-extra, mas o delegado recebe provento de vulto, além de seu salário, para ser substituto.

A Ugeirm defende a melhoria salarial de todos os policiais, delegados inclusive. Quem se insurge contra a base da Polícia Civil não defende a sociedade. Queremos acreditar que o governo não irá acolher pleito que não contemple a todos, porque do abismo salarial advirá o caos na nossa instituição.

presidente da Ugeirm/Sindicato



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