CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 20 DE MAIO DE 2002

Futebol vive tarde de terror
Violência no estádio Alfredo Jaconi e no Centro de Caxias do Sul teve bomba caseira e tiros. O esporte virou caso policial




24FUTEBO.jpg Torcedor colorado acabou sendo vítima de bombas caseiras no Jaconi


A violência no estádio Alfredo Jaconi e no Centro de Caxias do Sul causou a morte de uma pessoa e ferimentos em pelo menos nove. Duas delas continuam internadas em estado que inspira cuidados no Hospital Pompéia. O incidente mais grave ocorreu após o jogo entre Juventude e Inter, na esquina das ruas Doutor Montaury e Os 18 do Forte, onde uma bomba de fabricação caseira explodiu, matando o torcedor de Novo Hamburgo Jéferson da Silva Machado, 18 anos, que vestia uma camisa da Super Raça, uma das torcidas organizadas do Grêmio. Na explosão, o soldado da Brigada Militar Cleomar Vargas, que estava à paisana, vestindo a camisa do Internacional, teve decepada a sua mão direita.

O dia de terror na cidade serrana começou ainda dentro do estádio, onde explodiram três bombas, provocando pânico entre torcedores colorados na arquibancada. Um jovem de 16 anos foi atingido por uma pedra e sofreu traumatismo craniano. Internado no Hospital Pompéia, ele foi submetido a uma delicada cirurgia e depois internado na Unidade de Terapia Intensiva.

Todas as outras pessoas foram hospitalizadas em decorrência do conflito que aconteceu no Centro da cidade, a cinco quadras do estádio. Uma delas é o torcedor do Grêmio A. V. V., conhecido como 'Sarrafo', que havia sido expulso da torcida organizada Super Raça por incentivar brigas contra torcedores de outros clubes. 'Sarrafo', também submetido a cirurgia, foi atingido por um tiro no abdômen logo após a explosão da bomba. A bala atravessou seu corpo e ele já não corre risco de vida.

Também foram atendidos no hospital o sargento da BM Nélson Marinho e os soldados Carlos Timóteo, Adriane Carine Carneiro e Éberton Santos Pires, que participaram da abordagem a quatro torcedores que causavam tumulto no Centro. Durante a revista, aconteceu a explosão da bomba, que estaria sendo portada por Jéferson, segundo depoimento de uma testemunha.

O caso está sendo investigado pelo delegado Felipe Bonn, que ainda vai ouvir os torcedores Marcos Felipe dos Santos e Éverton Cunha, que também foram atingidos pela explosão. Bonn quer saber se a bomba foi arremessada por algum torcedor no momento da revista ou se realmente o artefato pertencia à vítima.



Correio do Povo
Porto Alegre - RS - Brasil