CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 7 DE NOVEMBRO DE 2007
 
Fraude repercute na área policial
Escândalo no Detran-RS marcou ontem o dia de paralisação dos servidores da segurança pública
 
A paralisação dos servidores da área da segurança pública, iniciada ontem e que se estenderá até o final da tarde de hoje, foi marcada pela notícia do escândalo do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS), cujo esquema de fraude foi desmantelado pela Polícia Federal. O presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia (Ugeirm/Sindicato), Isaac Ortiz, falou que o prejuízo de R$ 40 milhões aos cofres públicos – tendo integrantes dos dois últimos governos estaduais como acusados de envolvimento no esquema –, afeta a segurança pública. O dirigente observou também que o governo estadual ainda concede bilhões de reais em isenções e benefícios fiscais ao empresariado.
Já a presidente do Sindicato dos Servidores do Instituto de Perícias do RS (Sindiperícias), Cláudia Bacelar, avaliou que a falta de dinheiro justificada pelo governo para não atender às reivindicações pode ser explicada, por exemplo, pelo desvio de recursos no Detran-RS. O presidente do Sindicato dos Monitores, Agentes e Auxiliares Penitenciários (Amapergs), Flávio Berneiras, também ficou chocado com o caso envolvendo a direção do Detran-RS.
Ele lembrou que existe ainda o problema do inchaço de cargos de confiança, citando o próprio setor. A mobilização de greve foi organizada pela Ugeirm, Sindiperícias e Amapergs, que representam cerca de 9,1 mil servidores da segurança pública, sendo mantidos serviços considerados essenciais. No final da tarde de hoje, o movimento deve se juntar às demais categorias do funcionalismo estadual que protestam contra a política do governo. Entre as reivindicações estão aposentadoria especial, manutenção de percentual mínimo de 2% dentro da matriz salarial dos servidores da segurança para março de 2008, melhores condições de trabalho e de equipamentos. A falta de pessoal também é duramente criticada.
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Entidades alegam que dinheiro desviado poderia ser aplicado na área