“No futuro, as guerras vão começar digitalmente”, afirma CEO da Google

Palestrante Jared Cohen foi um dos destaques do Web Summit nesta terça-feira | Foto: Fernanda Kist Pugliero / Especial / CP
Palestrante Jared Cohen foi um dos destaques do Web Summit nesta terça-feira | Foto: Fernanda Kist Pugliero / Especial / CP

Jared Cohen mostrou no Web Summit como o Estado Islâmico recruta soldados pela Internet

O rápido avanço da digitalização torna o mundo cada vez menor, mas também mais perigoso. Um dos palestrantes em destaque no segundo dia do Web Summit foi Jared Cohen, CEO da incubadora de tecnologia Jigsaw, criada pelo Google. A empresa com sede em Nova York empenha-se na tarefa de encontrar soluções globais e tecnológicas para contrariar o extremismo e os ciberataques. “Em 2020 haverão mais smartphones do que pessoas no mundo. Vamos ter Internet 4G com mais qualidade do que o wifi que hoje utilizamos em casa”, afirmou o executivo.

Cohen falou sobre um novo tipo de guerra, sem conflitos armados, mas com o mesmo poder de desestabilizar a democracia. Como exemplo da utilização da Internet para promover o medo e o terror, Cohen citou o Estado Islâmico. A organização utiliza a Internet para recrutar soldados. A partir de um vídeo exibido no telão da Altice Arena, a audiência pode perceber o quão fácil pode ser o acesso a informações sobre a organização terrorista.

No vídeo, uma pessoa digita no Google o seguinte termo de busca: “Como me juntar ao Estado Islâmico?”. Logo no primeiro resultado aparece um link que direciona a uma página no Youtube onde está postado um vídeo intitulado “Quer se juntar à luta?”. O feito é possível por três motivos: Primeiro porque o Estado Islâmico paga para promover seu material no Google e aparecer no topo dos resultados de busca; segundo por causa da possibilidade da utilização de tags (palavras-chave) que direcionam o usuário que busca pelo termo “Estado Islâmico” para “luta”; por fim, o material do Estado Islâmico acaba driblando o próprio buscador, pois aparece disfarçado, já que o nome da organização não é citado.

A partir do exemplo sobre a estratégia utilizada pelo Estado Islâmico para atrair seguidores, Cohen destacou: “Acredito que, no futuro, as guerras vão começar com o hackeamento de infraestruturas”. Ele questionou a plateia: “Como a sociedade vai manter a estabilidade dos estados se a estabilidade digital cair?”.

Mais uma vez, para exemplificar a complexidade do tema, Cohen pediu a audiência que levantasse a mão caso a resposta a uma de suas perguntas fosse afirmativa. “Quem tem mais do que um número de telefone?”, questionou. “Quem tem mais uma conta de e-mail?”, voltou a indagar. “Quem usa mais do que uma aplicação para a troca de mensagens?”, finalizou. A maioria dos presentes levantou a mão para todas as perguntas. “O que acabaram de mostrar é que vocês têm mais de uma personalidade”, concluiu o CEO.

O que Cohen quis elucidar com o questionamento à plateia é que está cada vez mais difícil de identificar a origem dos ataques na Internet e, até mesmo, o que se trata de uma ação desse tipo, já que um mesmo usuário pode se colocar na rede como mais de uma “persona”. “Se olharmos para o sistema internacional, não há regras de como responder em caso de ataques cibernéticos”, afirma.

Ele ainda alertou que já há várias nações envolvidas nesse tipo de ataques, citando a Rússia, Ucrânia e Síria como exemplos. “Os governos tentam entender como lidar com este tipo de questões para prevenir a próxima grande guerra”, alertou. Segundo Cohen, o mundo está se tornando cada vez mais híbrido e hoje já é possível dizer que todos os países do mundo têm dois governos: “Um pelo mundo físico e outro pelo digital”, explicou. Para ilustrar seu pensamento, ele comparou os Estados Unidos e a China. “Ambos se parecem no mundo físico, mas são bem diferentes em termos digitais”, apontou, referindo-se às barreiras impostas pelo governo chinês à utilização da Internet naquele país.

Segundo Cohen, a maneira mais óbvia de promover ataques cibernéticos hoje em dia é através da disseminação de fake news. “É o equivalente a propaganda digital”, simplificou. Cohen também citou outras formas de ação, como exércitos paramilitares essencialmente digitais (pessoas que criam diversos perfis falsos na internet para atacar determinado grupo ou ideia na Internet ou disseminar secretos).

Fonte: Fernanda Kist Pugliero

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