Diretor digital da campanha de Trump revela que Facebook ajudou a eleger o presidente

Para Brad Parscale, conta no Twitter pode levar presidente americano à reeleição em 2020 | Foto: Fernanda Pugliero / Especial / CP
Para Brad Parscale, conta no Twitter pode levar presidente americano à reeleição em 2020 | Foto: Fernanda Pugliero / Especial / CP

A eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos completa 1 ano no dia 9 de novembro. A vitória do republicano contrariou a maioria das expectativas do país e do mundo. Apesar disso, uma pessoa parecia ser a única a certeza desde o início da campanha de que ele chegaria à Casa Branca. O homem que ostenta o título de “gênio que fez Trump tornar-se presidente”, Brad Parscale, comemorou o aniversário da eleição do republicano no palco do Web Summit, em Portugal, nesta quarta-feira.

Vinte minutos não foram suficientes para Parscale compartilhar toda a quantidade de informação, conteúdo e experiências que possui. Ele iniciou sua apresentação (que ocorreu em formato de entrevista comandada pelo jornalista do Yahoo News Michael Isikoff) recordando o convite para trabalhar com o hoje presidente dos Estados Unidos. “Quando Donald Trump me pediu para trabalhar com ele, eu sabia que tinha o produto certo para lançar para o mercado”, afirmou.

Ele revelou ainda que contou com a ajuda do Facebook para aprender como melhor promover nas redes sociais o então candidato à Casa Branca. Parscale fez mágica. “O que aprendi no Facebook é que temos que conseguir dinheiro. E, quando ele (Trump) se candidatou, nós só tínhamos o dinheiro dele mesmo”, relatou.

Nos Estados Unidos, a maior parte do financiamento eleitoral provém de fontes privadas, que podem ser pequenos doadores individuais ou doadores de quantias maiores (esses são os contribuem com mais de 200 dólares). Também há a possibilidade de autofinanciamento, que foi a opção adotada por Trump no início da campanha em 2016. “O Facebook nos permitiu encontrar pessoas dispostas a financiar a campanha de Trump”, apontou Parscale.

Treinados pelo Facebook, a campanha de Trump logo aprendeu como usar a inteligência artificial das plataformas de redes sociais a fim de beneficiar-se na difusão de conteúdos. O Twitter foi um dos principais aliados, e a conta de Donald Trump acabou se consolidando como um dos principais canais de comunicação do presidente dos Estados Unidos.

O perfil oficial no Twitter conta com mais de 40 milhões de seguidores, e as postagens são feitas pelo próprio Trump. Apenas para efeito de comparação, o presidente anterior, Barack Obama, possui pouco mais de 620 mil seguidores na mesma rede social. “Todos me perguntam se deveríamos tirá-lo (referindo-se a Trump) do Twitter e eu respondo: quero que ele tweet o máximo que conseguir, pois acredito que as pessoas querem ouvir os seus líderes e não existe melhor maneira de fazer isso do que eles falarem diretamente com as pessoas”, explicou Parscale.

Quando perguntado sobre qual conselho ele daria ao presidente norte-americano para que seja reeleito em 2020, Parscale não hesitou: “Que ele continue tweetando”. O guru das redes também fez graça e vendeu seu peixe ao deixar um segundo conselho: “Contratem-me outra vez”.

A interferência russa na campanha eleitoral

Sem rodeios, até porque o tempo limitado para cada palestrante não permite isso, o entrevistador de Parscale disparou: “A Cambridge ajudou a campanha com dados?”. Ele referiu-se à empresa britânica Cambridge Analytica, que combina coleta e análise de dados com comunicação estratégica para auxiliar no processo eleitoral. Pasrcale negou. O diretor digital da campanha de Trump disse que não houve nenhuma alteração dos dados a que tiveram acesso e que teria conhecimento, caso isso tivesse ocorrido.

Sobre a interferência russa na campanha, com a propagação de anúncios nacionalistas que teriam favorecido a eleição do republicano, Parscale limitou-se a dizer que “não sabe” se isso ocorreu de fato, apesar de o próprio Facebook já ter confirmado que sim.

Isikoff insistiu no tema: “Sabemos que houve pessoas que falaram diretamente com os eleitores de Donald Trump. Houve hackers que falaram com pessoas do Tennessee fingindo ser republicanos apoiantes de Trump. Há até tweets do próprio Donald Trump que fizeram recircular informações falsas. E você é o responsável por isso. Tinha noção do que estava a fazer? Tinha noção de que, por detrás daquelas contas, estavam influenciadores russos?”, perguntou. Brad Parscale, mais uma vez, negou. Ele ainda justificou que “retweetar um tweet” não influencia na mensagen passada por Trump durante a campanha: “Eu não fazia ideia de quem estava por detrás daquelas contas”.

Apesar da aparente indiferença de Parscale perante a acusação do uso de tecnologias por determinados grupos para difundir mensagens e notícias falsas que podem ter influenciado em alguma medida o resultado da eleição presidencial, ele admitiu: “Eu fiz muitos retweets e sinto-me mal por ter difundido algum conteúdo errado durante a campanha”.

O entrevistador provocou voltou a provocar, dessa vez citando as críticas de Donald Trump à investigação que apura as relações entre ele e a Rússia. “Não seria melhor o presidente apoiá-las (referindo-se às investigações)?”, perguntou a Parscale. A resposta então foi: “Eu não falo pelo presidente, mas eu espero que isso seja resolvido no futuro”.

Isikoff insistiu: “Vocês enganaram os eleitores ao promover Trump durante a campanha?”. Parscale negou. “Eu acho que ele é o melhor presidente dos Estados Unidos em muito tempo, mas ele ainda precisa de tempo para concretizar todas as promessas”, completou.

Fonte: Fernanda Pugliero

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