Tecnologia das criptomoedas é a nova internet, apontam especialistas

Foto: Guilherme Testa

Com capacidade de mudar a forma de interação interpessoal e, principalmente, de negócios, a tecnologia blockchain é apontada por especialistas como a nova internet. É através dela, por exemplo, que são desenvolvidas as criptomoedas.

Apesar de ser mais conhecida no mercado financeiro e também de tecnologia da informação, a tecnologia blockchain é considerada o “futuro”. E pesquisas apontam que, em pouco tempo, ela se expandirá, podendo ser aplicada, inclusive, em transações de alugueis de carro e registros de casamento e imóveis. “O futuro é o blockchain. Essa tecnologia não tem mais volta, agora ela só avança. Muitos especialistas a consideram a nova internet, principalmente por trabalhar com o conteúdo descentralizado”, ressaltou Edelweis Ritt, especialista em blockchain e sócia-fundadora da Triubr, em evento nesta quarta-feira, em Porto Alegre, sobre “Criptomoedas e Blockchain”.

Os painéis – organizados pela Sisnema – discutiram a usabilidade e o alcance do blockchain – considerado inovador por mudar o jeito da internet. A principal novidade trazida pela tecnologia é a descentralização dos dados, que podem ser acessados por todos, além disso o conteúdo se torna imutável, o que garante a segurança da tecnologia. O evento reuniu, nesta quarta-feira, cerca de 230 pessoas, a maioria profissionais da área da tecnologia, e sete especialistas no salão de eventos do Hotel Embaixador, no Centro da cidade.

Segurança

Apesar de o mercado tradicional apontar problemas na nova tecnologia – assim como aconteceu com a internet – os especialistas garantem a segurança do blockchain. A confiabilidade se dá, principalmente, pelos dados serem imutáveis. Para alterar qualquer transação financeira, por exemplo, é preciso permissão de todos que participam da plataforma, o que se torna inviável, já que as pessoas são anônimas.

Como exemplo, Edelweis citou uma eleição, em que o voto fosse realizado através da tecnologia blockchain. “Se eu faço um voto público, eu não consigo mais alterar, é praticamente impossível de corromper. E como a contagem de votos também é pública, todos poderiam conferir. A fraude é impossível”, explicou.

Modelos de blockchain

O blockchain tem dois modelos. O mais conhecido é o “não permissionado” por ser o adotado pelas criptomoedas. Neste modelo, todos os usuários têm acesso à plataforma e podem acompanhar as transações financeiras realizadas, por exemplo, em bitcoins. Por ser de acesso livre, os participantes são anônimos e reconhecidos apenas através de códigos. No Brasil, a criptomoeda não é regulamentada, mas, nem por isso, é ilegal.

O outro modelo é o “permissionado”, onde só pode participar quem for convidado. O grupo é gerenciado por quem criou e não existe anonimato. O nome e os registros das pessoas aparecem para todos que fazem parte da plataforma.

Oferta inicial de moedas

Junto com a nova tecnologia, vem uma nova forma de investir. De acordo com o engenheiro de software, Eduardo Makiyama, muitas startups captam investimentos para desenvolver produtos através da ICO (sigla que em português significa “oferta inicial de moedas”). “É uma forma popular de financiar projetos. Algumas empresas vendem seus projetos em troca de criptomoedas e a partir daí desenvolvem a ideia”, explicou. “Os investidores estão ganhando mundo”, garantiu o engenheiro.

Integração de negócios

Morador de São Francisco da Califórina, Vitor Loreto, 47 anos, aproveitou a visita a família na Capital gaúcha para participar do evento. Nos Estados Unidos, Loreto tem uma startup relacionada a “internet das coisas”. “Estamos vendo a possibilidade de integrar a tecnologia blockchain com a internet das coisas e ampliar os negócios”, explicou.

Evento

O evento “Criptomoedas e Blockchain” foi organizado pela Sisnema Informática, que atua há 27 anos no mercado. De acordo com a empresa, este é o maior evento do Sul do Brasil sobre o assunto. “É um esforço trazer esse evento, por ser algo inovador”, disse Nei Maldaner, fundador e consultor de tecnologia da Sisnema.

Foto: Guilherme Testa

Os painéis ocorrem durante toda esta quarta-feira, no Hotel Embaixador, no Centro de Porto Alegre. Das 8h às 17h, 230 participantes discutirão sobre tecnologia, aplicação, software e negócios relacionados ao blockchain e também sobre investimentos em criptomoedas.

Escrito por Raphaela Suzin

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