Indústria britânica de games luta contra desequilíbrio entre homens e mulheres

Jogo SOULCALIBUR™ VI é um game de batalhas épicas entre guerreiros em busca das lendárias espadas Soul
Divulgação / CP

Dando vida a um duende negro em um videogame de fantasia, a jovem estudante Hannah se aproxima do microfone para lançar uma advertência terrível: “este mundo, e tudo que há nele, arderá em chamas!”. Com outras sete estudantes, Hannah, de 13 anos, está aprendendo os truques do negócio de jogadores como parte de uma iniciativa para encorajar mais meninas a entrarem no setor.

Nos últimos três anos, a Creative Assembly, uma das maiores desenvolvedoras de videogames da Grã-Bretanha, organizou workshops só para meninas em sua sede do sul de Londres. “Recebemos muitos comentários de estudantes e pais”, explicou Jodie Azhar, que é a principal artista técnica em “Total War: Warhammer”, a série emblemática do estúdio. “Queremos contestar ideias equivocadas como ‘é mais fácil para os homens do que para as mulheres encontrar trabalho nesta indústria’ ou “minha mãe me diz para eu arranjar um trabalho de verdade'”.  Jodie Azhar, uma jovem mulher, sabe que é uma exceção no setor.

Segundo um informe de 2016, as mulheres representam só 19% dos empregados do setor, apesar de que metade dos usuários de videogames britânicos são mulheres. “Nesses 19%, quantas mulheres estão realmente fazendo os jogos?”, se pergunta Marie Claire Isaaman, presidente do grupo “Women in Games”, que busca aumentar a representação feminina no setor. “Não há muitas mulheres fazendo videogames”, afirma. “O que temos são equipes de homens desenvolvendo personagens mulheres. Isso pode ser um grande problema”. – A pátria de Lara Croft -Para Azhar, a escassez de mulheres tem a ver com a educação. “O principal problema para que as mulheres cheguem à indústria vem da idade escolar”, disse à AFP.

“Embora eu adorasse jogar videogames, não me dava conta de que fazê-los podia ser uma carreira profissional. Na escola nunca ouvi nada sobre estes trabalhos”. A disparidade se deve também a uma escassez de demanda, porque há menos meninas que meninos estudando ciências, tecnologia, engenharia ou matemática, segundo Richard Wilson, diretor da Associação britânica de criadores independentes de videogames. Parte do desequilíbrio é atribuída também a atitudes negativas para as mulheres que são comuns no mundo dos videogames.

Os estúdios parecem agora mais propensos a dar protagonismo a personagens mulheres, como nos jogos lançados recentemente “Horizon: Zero Dawn” e “Uncharted: The Lost Legacy”. Nos últimos anos, aumentou o ritmo de incorporações de mulheres às equipes de criadores, em um momento que o setor experimenta um ‘boom’: só no Reino Unido há mais de 2.000 estúdios que empregam 13.000 pessoas, e a indústria cresceu 7% em 2017. O Reino Unido tem alguns dos nomes mais prestigiosos neste campo, como o estúdio Rockstar North na Escócia, criador da série “Grand Theft Auto”, e Rocksteady, em Londres. “As coisas estão indo no caminho certo”, disse Isaaman, que espera que as mulheres representem 40% desta indústria até 2025. O Reino Unido aspira a se colocar à frente no debate. Não por acaso, foi perto de Derby, no centro da Inglaterra, em 1996, que o estúdio Core Design deu à luz Lara Croft, uma das personagens mais famosas dos videogames.

Fonte: AFP

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