Óculos 3D, chromebooks e agendas virtuais colaboram para aulas mais interativas

Realidade virtual para uma aprendizagem mais real. Uso de tecnologias modifica relação com aulas em universidade gaúcha
Foto: Lucielle Oliveira / Unilasalle / CP

Por Vera Nunes

O ano letivo de 2018, em muitas instituições de Ensino gaúchas, promete novidades, não só para os estudantes, mas para os professores e, até mesmo, para os pais. Óculos 3D, agendas virtuais e robôs, definitivamente, entraram no cotidiano da Educação e colaboram para aulas mais interativas, em espaços diferenciados e integrados entre educadores e educandos.
Na Universidade La Salle, em Canoas, já é possível para um aluno, aqui do Rio Grande do Sul, “percorrer” a planta de uma fábrica referência nos Estados Unidos ou a um estudante da área da saúde “viajar” por dentro do corpo humano. Basta colocar óculos de realidade virtual (cardboards) e fazer as viagens em três dimensões. “Os óculos permitem a imersão na realidade de forma 3D. Isso te aproxima do objeto de estudo e torna o processo de aprendizagem mais concreto. Temos uma aula em que visitamos o cérebro para entender suas conexões e a complexidade das sinapses”, explica o coordenador da Área de Educação e Cultura da La Salle, Augusto Niche Teixeira. <VS10.5>
Pufes e sofás

Inaugurada no ano passado, na instituição lassalista, a Xperience Room é uma sala de aula diferente. O espaço – considerado o marco físico de uma parceria com a Google For Education, braço educativo da destacada empresa de tecnologia do mundo – foi pensado para receber aulas fora do padrão tradicional, em que o professor, à frente da turma, compartilha seus conhecimentos, num fluxo quase que de mão única. As cores remetem a um ambiente divertido e dinâmico, permitindo que alunos sentem em pequenos grupos, bancadas, sofás, pufes, etc. A exigência é que o professor que vá utilizar esse espaço pense numa aula diferente. “A sala, o mobiliário, tudo influencia em como o professor planeja sua aula. Aquele que planeja uma disciplina conservadora não consegue usar essa sala, pois ela exige que seja algo colaborativo, onde alunos e professores estão mais integrados. O ambiente não é mais centrado no professor, ele é apenas interlocutor do conhecimento”, completa Augusto.

Chromebooks

No Vale do Taquari, outra experiência está proporcionando inovação. Uma das grandes novidades do Colégio Teutônia para o ano letivo de 2018, que se iniciou em 14 de fevereiro, foi a Sala Google, que busca ser um novo conceito, para desmitificar os tradicionais modelos de Ensino e arquitetônico. “A Sala Google é uma potencialização do que já fazemos em nossa proposta social de educação. O novo espaço reflete a valorização da troca, do relacionamento entre estudantes, professores e o mundo”, destaca o diretor do Colégio, Jonas Rückert. O ambiente apresenta design arquitetônico diferenciado, em tendência pedagógica já consolidada internacionalmente. Ao invés das tradicionais classes, pufes e almofadas, e substituindo PCs e notebooks, conta com toda a agilidade e tecnologia dos chromebooks.

O projeto é uma parceria do Colégio Teutônia com o setor de educação do Google e a Associação de Pais e Professores (APP) da escola, que contribuiu com o repasse financeiro para a reestruturação do espaço físico. “A ideia é concretizar, em arquitetura, o que já é tendência contemporânea do ambiente educacional: a construção conjunta do conhecimento por alunos e professores, inserindo a tecnologia como ferramenta de compartilhamento e motivação, estimulando de maneira diferenciada a produtividade na sala de aula”, revela a coordenadora do Setor de Informática, Ana Lúcia dos Santos Hamester.

Educação Digital

A tendência em apostar, cada vez mais, em tecnologia e inovação é tão verdadeira que a capital gaúcha já recebeu uma filial da terceira maior escola do mundo de educação digital para crianças e adolescentes, a Happy Code. A sede tem capacidade para mais de 400 alunos e está com inscrições abertas para 11 diferentes cursos sobre programação, criação de games, desenvolvimento de aplicativos, robóticas, entre outros. A escola busca desenvolver as habilidades do século XXI através do ensino de competências digitais, como programação de games e aplicativos. Para isso, propõe um método não convencional de ensino em que o aluno desenvolva projetos a partir do conhecimento obtido. As salas de aula funcionam em formato de ilha, para facilitar a circulação dos professores e incentivar a interação entre o grupo. O que se observa, segundo Pedro Wolf, um dos três sócios da filial em Porto Alegre, é que a educação digital será indispensável às novas gerações. “A tecnologia vai impactar todos os segmentos de mercado, não importando a área”, avalia.

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