Movimento busca profissionalização e crescimento do futebol virtual

Foto: Guilherme Testa

Sonhar, estudar, aprender, treinar, crescer e se profissionalizar. Uma trajetória simples, com passos fáceis e alcançáveis. Mas não para todos. Jogar videogame nunca passou de fama nesse novo mundo digital. Em busca de profissionalização da categoria, foi criada uma liga em que os melhores jogadores, ou ProPlayers, de Pro Evolution Soccer (PES) do Brasil se reuniram para buscar o crescimento do esporte. “Queremos aproximar clubes e atletas. Incentivá-los a criar campanhas para atrair o público torcedor para o futebol digital”, diz Renato Sá Neto, presidente da eLigaSul.

Guilherme Fonseca, o GuiFera, atual campeão mundial de PES é um dos fundadores. Ele começou a carreira profissional em 2014 e em 2017 assinou seu primeiro contrato para representar o Santos. Outro atleta que recentemente assinou contrato com um clube profissional do Brasil para disputar os campeonato em nome deles foi Henrykinho. Mineiro, de 17 anos, Henrique Mesquita assinou por um ano com a Ferroviária (SP). De acordo com Humberto Boschiero, diretor de marketing do time, a Ferroviária passa por um processo de reconstrução da marca e vê no projeto uma forma de expansão após muito anos nas divisões de acesso do Paulistão: “Perdemos muitos torcedores nesse período. A ideia vem justamente para atrair esse público mais jovem.” Henrykinho é campeão do e-Brasileiro de 2017.

Jogando pelo Cruzeiro, desbancou o campeão mundial do mesmo ano e amigo, GuiFera: “Foram muitos jogos. Conheci muito lugar que não pensei que conheceria”, brinca ele, que ainda não completou o Ensino Médio. “Estudo de manhã, treino duas a três horas a tarde e procuro dormir cedo, pois de manhã levanto cedo pra aula.”

Com mais de experiência, Felipe Mestre foi um dos precursores da profissionalização do esporte. “Por muito tempo fui referência, e ainda sou, mas os grandes nomes do futebol digital são esses meninos (GuiFera e o Henrykinho).” Ele comenta que usufrui dos seus seis anos de carreira profissional a seu favor e que ainda consegue bater de frente com os colegas mais novos.

Foto: Guilherme Testa

A Confederação Brasileira de Futebol Digital Virtual (CBFDV) é uma das responsáveis pela promoção dos principais campeonatos no país, buscando incentivar a prática de forma profissional. “Atuo há 13 anos promovendo campeonatos em nível nacional. Tudo que se tem hoje, de futebol digital, se deve, principalmente, à CBFDV”, afirma Wanderson “Chapoka” Ribeiro, presidente da entidade.

Para o atleta que tenta alçar rumos mais altos, a aposta é alta. Há custos com viagem, hospedagem e inscrição, sem falar nos equipamentos para treinamento. Formado em Direito, Mestre tentava conciliar trabalho e carreira: “Até ano passado eu trabalhava e buscava pagar todos meus custos. Mas é difícil. Meu pai me auxiliou muito até eu conseguir ter retorno com o PES.” Segundo Chapoka, a confederação é uma organização sem fins lucrativos e não tem condições de arcar com os custos dos atletas. A CBFDV entende que falta aos clubes perceber o potencial que o futebol digital tem para marcas e investir: “O Henrique (Fonseca), por exemplo, representa a Ferroviária e esteve na Argentina como jogador do clube. Agora ele vai para a Alemanha disputar o mundial.”

Pensando nisso foi criada uma liga com os atletas profissionais, que buscará dar mais visibilidade à categoria. “Nós apresentamos e auxiliamos o GuiFera com o Santos. Depois, a Ferroviária entrou em contato para entrar no esporte”, revelou Renato. Foi pensando nessa internacionalização que ele entrou em contato com alguns dos maiores nomes do e-sport na França, México, Espanha, Japão, entre outros. O Barcelona já começou a investir no futebol digital. “Precisamos trabalhar para colocar em evidência esses jogadores e torná-los fontes de investimento para os clubes de futebol real”, disse o presidente da CBFDV.

Fonte: Guilherme Testa

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