Redes sociais funcionam como ferramenta contra os excessos dos torcedores

Fonte: Paul ELLIS / AFP / CP

Entre infrações e atos sexistas, alguns torcedores da Copa do Mundo-2018 viram como as redes sociais viralizaram comportamentos de gosto duvidoso ou diretamente contrários às regras, mostrando como essas ações são cada vez mais fáceis de detectar num mundo informatizado. Um emprego pode ser perdido devido ao mau comportamento nas arquibancadas de um estádio a milhares de quilômetros de casa? A resposta é sim para um funcionário da companhia aérea colombiana Avianca, que foi filmado consumindo álcool no estádio, camuflado em um par de binóculos com alguns amigos, no dia da derrota por 2-1 contra o Japão em Saransk.

O vídeo foi amplamente comentado nas redes sociais e na imprensa, o que levou a Avianca a decidir rescindir o contrato de seu funcionário. Algo parecido aconteceu com um torcedor brasileiro, que zombou de uma jovem russa fazendo-a repetir palavras obscenas em português, aproveitando o fato de não conhecer a língua e não saber o que estava dizendo. “Já não faz mais parte da equipe”, declarou outra companhia aérea, a Latam, que “repudia firmemente qualquer tipo de ofensa ou prática discriminatória”.

Instrumentalização

Estas decisões e o fato de serem comunicadas publicamente de maneira rápida “demonstra claramente uma lógica de instrumentalização neste momento de visibilidade midiática, como é uma Copa”, aponta à AFP Jean-Christophe Alquier, especialista em comunicação de crise. “Isso parece quase responder a um totalitarismo corporativo, que exige uma atitude irrepreensível” dos funcionários, tanto dentro da empresa quanto fora.

Outros incidentes também despertaram grande indignação. É o caso, por exemplo, do denunciado pela rede de televisão alemã Deutsche Welle. A repórter colombiana Julieth González Theran, que trabalha para o seu serviço em espanhol, fazia uma emissão ao vivo em Saransk quando um homem russo apareceu de repente, tocou-lhe o peito e beijou-a na bochecha. Deutsche Welle condenou o incidente, falando de uma “agressão sexual”.

O torcedor russo, diante do alvoroço provocado, explicou que havia feito “uma brincadeira infeliz” por uma aposta realizada com um amigo e foi filmado pedindo desculpas diretamente à jornalista. “A participação no espetáculo do futebol é um momento de relaxamento dos controles, uma vez que se autoriza a usar palavras ou comportamentos sem medida”, lembra Ludovic Lestrelin, professor de ciências sociais e esporte da Universidade de Caen, na região francesa da Normandia. “É uma questão muito complexa, porque é sempre difícil saber até que ponto acreditam no que dizem no estádio”, ressalta.

Gritos homofóbicos

Outro exemplo que gerou comentários desde o início da Copa do Mundo: os cantos homofóbicos nos estádios. A associação francesa Foot Ensemble destacou em meados de maio como 40% dos torcedores consideram uma série de palavras como insultos contra os homossexuais, mas apenas 12% as consideram “homofóbicas”. No mundo do futebol, estes termos “são desdramatizados” e associados ao “folclore”, destaca a empresa de pesquisas Ipsos.

A primeira partida vencida pelo México contra a Alemanha por 1 a 0 foi parcialmente ofuscada por um fato, o uso de “Puto” (termo depreciativo para os homossexuais) contra o goleiro Manuel Neuer. A FIFA multou o México por isso, como já fez várias vezes no passado, e esse comportamento coletivo dos torcedores também gerou reações de várias áreas. “Acho que é um bom momento para convidar as pessoas a não fazê-lo”, afirmou o meio campo mexicano Marco Fabian em entrevista coletiva.

Fonte: AFP

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