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  • 16/05/2015
  • 16:45
  • Atualização: 16:56

População de rua aumenta em Porto Alegre e políticas públicas falharam, diz Fasc

Na Capital, 1,3 mil pessoas constroem suas vidas tendo praças e viadutos como lares

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  • Jézica Bruno

Para a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), que disponibiliza 1,2 mil vagas em Porto Alegre ao acolhimento da população em situação de rua, é necessário um trabalho conjunto. “Vivemos um caos social. Entramos em ação porque as políticas públicas falharam, mas o nosso desejo é ter todas entrelaçadas para ressocializar essas pessoas”, afirma o presidente Marcelo Soares.

A população de rua é acompanhada pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social. A quantidade de pessoas nas ruas está aumentando, conforme Soares, e há escassez, inclusive, de pessoas para atendimento. A rede para adultos, que oferece pernoite e alimentação, conta com 173 vagas em três abrigos, 50 em abrigos familiares, 24 em república, 355 em três albergues, 260 em quatro instituições de longa permanência e 220 nos dois Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua.

Há ainda 24 idosos na primeira casa lar do município. Outras 123 vagas são abertas no inverno. Para a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), que disponibiliza 1,2 mil vagas em Porto Alegre ao acolhimento da população em situação de rua, é necessário um trabalho conjunto. “Vivemos um caos social. Entramos em ação porque as políticas públicas falharam, mas o nosso desejo é ter todas entrelaçadas para ressocializar essas pessoas”, afirma o presidente Marcelo Soares.

A população de rua é acompanhada pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social. A quantidade de pessoas nas ruas está aumentando, conforme Soares, e há escassez, inclusive, de pessoas para atendimento. A rede para adultos, que oferece pernoite e alimentação, conta com 173 vagas em três abrigos, 50 em abrigos familiares, 24 em república, 355 em três albergues, 260 em quatro instituições de longa permanência e 220 nos dois Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua. Há ainda 24 idosos na primeira casa lar do município. Outras 123 vagas são abertas no inverno.

Na Capital, 1,3 mil pessoas vivem nas ruas 

Barracos erguidos nas ruas de Porto Alegre abrigam centenas de pessoas que tiveram suas vidas moldadas debaixo de lonas. Cada construção improvisada denuncia a realidade da Capital. Entre homens, mulheres e crianças, são 1.347 em situação de rua, conforme o último censo, de 2010. Algumas delas, que se instalaram no asfalto e buscam o abrigo de viadutos e praças, estão há mais de 25 anos dessa forma. O município oferece albergues, núcleos de acolhimento e abrigos. Porém, as medidas não agradam nem alcançam a todos.

Com apenas 5 anos, Daniel Silveira se tornou um filho da rua. Nascido em Ijuí, foi deixado na capital gaúcha pela mãe e aprendeu, desde pequeno, a encontrar o seu próprio caminho. Hoje, com 43, ele tem um barraco na praça Brigadeiro Sampaio, em Porto Alegre, onde guarda os pertences e as histórias que foram acumuladas com o passar dos anos. “Quando eu cheguei na cidade e fui largado sozinho na rua, procurei logo um lugar para me deitar e me proteger do frio. Com o tempo, fui aprendendo a viver dessa forma”, lembra Daniel.

O barraco construído com lonas, que alcançam um dos braços de uma figueira centenária da praça, é dividido com o amigo Jorge Luis da Silva, 40, um conterrâneo que também ganhou as ruas.  No local, carrinhos de supermercado, caixas de papelão, sacos plásticos e um quadrado com madeiras pregadas, que imitam o esqueleto de uma cama, estão assentados na terra e compõem a moradia. Em um dos cantos, uma caixa de papelão foi transformada também em casa para a cadela que Daniel encontrou na rua, enquanto catava latinhas para a reciclagem: Lois Lane, a companheira escolhida para os momentos de solidão. O nome é inspirado no amor do Super Homem. “Encontrei ela largada, assim como eu fui, e resolvi cuidar dela. Hoje eu dou o melhor que posso a ela, porque aqui só tem amor”, conta Daniel.

O sentimento é anunciado logo na chegada por uma placa que estampa o nome escolhido para o barraco: “Recanto do Amor”. Foi dessa forma que o menino que pedia comida e dinheiro na rua cresceu e foi buscar a sobrevivência. “Comecei a trabalhar em obras e depois em um supermercado. Assim eu fui vivendo e me criei”, explica.

Daniel se casou, teve filhos e diz ter estudado. “Também dava aulas de capoeira, foi o que me salvou das drogas”, relata.  Mas a rua continuou sendo o lugar que ele escolheu para viver. “Não fiquei sempre na rua, mas acabei voltando para ela, porque isso também se tornou um estilo de vida”, resume.