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  • 19/06/2015
  • 21:29
  • Atualização: 21:59

Estudo afirma que sexta extinção em massa já começou

Pesquisadores garantem que texto é conservador e que humanidade corre riscos

Extinção K-T, há 65,5 milhões de anos, colocou fim aos dinossauros e destruiu 60% da vida na Terra. | Foto: Nasa/Divulgação CP

Extinção K-T, há 65,5 milhões de anos, colocou fim aos dinossauros e destruiu 60% da vida na Terra. | Foto: Nasa/Divulgação CP

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  • AFP

Um estudo das universidades de Stanford, Princeton e Califórnia, publicado nesta sexta-feira, afirmou que o mundo está começando a sofrer a sexta extinção em massa de sua história. Atualmente, os animais desaparecem numa taxa 100 vezes maior do que costumavam, alertaram os cientistas. E os seres humanos podem estar entre eles.

Desde o fim da era dos dinossauros, há 66 milhões de anos, o planeta não perdia espécies a uma taxa tão elevada como agora, de acordo com o trabalho. O estudo "mostra sem sombra de dúvidas que estamos entrando na sexta maior extinção em massa", disse o co-autor Paul Ehrlich, professor de biologia na Universidade de Stanford.

E a espécie humana é, provavelmente, uma das espécies perdidas, informou o estudo - chamado por seus autores de "conservador" - divulgado na revista Science Advances. "Se permitirmos que isso continue, a vida vai levar milhões de anos para se recuperar e nossa própria espécie provavelmente se tornará extinta em breve", alertou o coordenador do projeto, Gerardo Ceballos, da Universidade Autônoma do México.

A análise baseia-se nas extinções documentadas de vertebrados, ou seja, animais com esqueletos internos como rãs, répteis e tigres, a partir de registros fósseis e outros dados históricos. A taxa de extinção de espécies moderna foi, então, comparada com "a taxa natural de extinção de espécies antes da atividade humana dominar (a Terra)".

Pode ser difícil de estimar esta taxa, também conhecida como taxa de extinção de fundo, porque os seres humanos não sabem exatamente o que aconteceu no curso da história de 4,5 bilhões de anos da Terra. Para o estudo, os pesquisadores utilizaram uma taxa de extinção passada duas vezes maior às estimativas que são geralmente utilizadas.

Se a taxa passada - ou ritmo natural - era de duas extinções de mamíferos para cada 10 mil espécies com mais de 100 anos, então a "taxa média de desaparecimento de espécies de vertebrados no século passado é 114 vezes maior do que teria sido se não tivesse havido a atividade humana", argumentaram os pesquisadores. "Nós insistimos que nossos cálculos provavelmente subestimam a gravidade da crise de extinção, pois nosso objetivo era colocar um limite realista, mas limitar o impacto humano sobre sobre biodiversidade".

As causas da extinção atual de espécies são, entre outras, alterações climáticas, poluição e desmatamento. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), cerca de 41% de todos os anfíbios e 26% das espécies de mamíferos estão ameaçadas de extinção. "Há exemplares de espécies ao redor do mundo que são basicamente mortos vivos", explicou Ehrlich.

O estudo pede que "sejam intensificadas e aceleradas as medidas destinadas a conservar as espécies ameaçadas e aliviar a pressão sobre suas populações, como a perda do habitat, a exploração de recursos com fins econômicos e mudanças climáticas".

As principais extinções catalogadas pelos cientistas iniciam pela do período Ordoviciano, há 444 milhões de anos. Animais trilobites, braquiópodes, crinoies e equinoides foram vitimados. Depois disso, ocorreu a extinção do Devoniano superior (360 milhões de anos), matando 70% da vida marina; e a Permiana (251 milhões de anos), novamente afetando os oceanos, com morte de 96% das espécies. Depois disso, ocorreu a do Triássico-Jurássico (200 milhões de anos), matando 20% das espécies marinhas e dos arcossauros, com exceção dos dinossauris. Por fim, a quinta catalogada é a extinção K-T, há 65,5 milhões de anos, que colocou fim aos dinossauros e destruiu 60% da vida na Terra.