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  • 09/07/2015
  • 13:41
  • Atualização: 14:31

Evo Morales presenteia Papa Francisco com um crucifixo comunista

Pontífice está na Bolívia na sua peregrinação pela América Latina

Evo Morales presenteia Papa Francisco com um crucifixo comunista | Foto: Juan Carlos Usnayo / AFP / CP

Evo Morales presenteia Papa Francisco com um crucifixo comunista | Foto: Juan Carlos Usnayo / AFP / CP

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  • AFP

Em cerimônia reservada, o presidente da Bolívia, Evo Morales, presenteou o Papa Francisco com um crucifixo de madeira onde a imagem de Jesus aparece sobre o símbolo comunista da foice e do martelo. Ao receber o "presente", o papa olha fixamente para o presidente boliviano de forma sisuda. Segundo o chefe do cerimonial do Papa, Francisco disse para o presidente boliviano que "isso não está bem".

O sumo pontífice está em visita ao país latino-americano desde quarta-feira. Em Santa Cruz de La Sierra,  Francisco rezou uma missa onde criticou a "lógica que busca transformar tudo em objeto de troca, de consumo, tudo negociável", a uma multidão reunida na grande Praça de Cristo Redentor, no centro da cidade.

Em sua homilia, pronunciada pela primeira vez a milhares de índios de várias etnias da Bolívia, quechuas e aymaras, que vieram de diferentes regiões do país, Francisco falou dos esquecidos e descartados no mundo, particularmente as mulheres, que "carregam sobre os ombros (...) as injustiças que não parecem parar", lamentou.

O chefe da Igreja Católica advertiu todos os bolivianos que um povo sem memória ou uma "memória anestesiada" se torna "individualista", "enfraquece as esperanças" e "perde a alegria". Esse conceito ele já havia tratado no Equador, primeira etapa de sua viagem à América do Sul, que começou no domingo e que termina oito dias depois no Paraguai.

Francisco aproveitou para pedir um diálogo franco e aberto, de modo a “evitar conflitos entre países irmãos”, referindo-se ao conflito territorial entre os dois países latino-americanos. “Estou pensando no mar. Em diálogo, diálogo”, disse o sumo pontífice no seu discurso na catedral de La Paz.

Durante a Guerra do Pacífico, no final do século XIX, a Bolívia perdeu sua costa para o Chile, tornando-se um país sem saída para o mar. A Bolívia quer que o Tribunal Internacional de Justiça de Haia obrigue o Chile a negociar uma solução para a restituição de uma saída para o Pacífico, perdida em 1879.