Porto Alegre, domingo, 26 de Outubro de 2014

  • 09/03/2010
  • 21:36
  • Atualização: 23:25

Ciclone está mais próximo do Litoral Norte

Chuva pode ser torrencial e provocar alagamentos, inclusive na Região Metropolitana

Ciclone está mais próximo do Litoral Norte, dizem meteorologistas | Foto: MetSul Meteorologia / CP

Ciclone está mais próximo do Litoral Norte, dizem meteorologistas | Foto: MetSul Meteorologia / CP

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O ciclone que ronda o Rio Grande do Sul desde o fim de semana se intensificou nesta terça-feira. Ganhou força e adquiriu nova nomenclatura. Agora, tornou-se um ciclone tropical e ingressou na categoria Invest. O maior risco, pela análise da MetSul, é a possibilidade de chuva intensa a torrencial localizada no Leste gaúcho, inclusive na região de Porto Alegre, o que poderia gerar alagamentos.

Em janeiro de 2009, quando inundações mataram 14 pessoas no Sul do Estado, foi um ciclone subtropical que estava sobre o continente na região. Desta vez, o fenômeno atua no mar. “O pior seguirá sobre alto mar, mas a maior proximidade da costa deste sistema nesta quarta-feira acentua a possibilidade de tempo severo”, explicou o meteorologista da MetSul Luiz Fernando Nachtigall.

Sob o olhar científico, o ciclone é histórico. Pode não resultar em problemas graves como causados por ciclones extratropicais (fenômeno comum no nosso clima), como em maio de 2008, mas sua natureza tropical e o olho são aspectos de grande raridade, tanto que chamou a atenção da comunidade meteorológica mundial.

O sistema internacional de monitoramento de ciclones tropicais da Marinha dos Estados Unidos classificou, finalmente, o ciclone na costa gaúcha. A tempestade no mar responde agora pelo código Invest90Q pela Marinha americana e Invest90L pelo NOAA (Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera), órgão oficial de Meteorologia dos Estados Unidos.

Há quatro anos, nenhum ciclone recebia classificação Invest na costa do Sul do Brasil. Dados do Centro Nacional de Furacões do final da noite de terça-feira indicavam que o vento do ciclone sobre o mar havia se intensificado, levando o fenômeno ao estágio equivalente ao de tempestade tropical.

Segundo as coordenadas geográficas, o centro do ciclone estava entre 100 e 150 quilômetros a Leste de Torres à noite, com lento avanço para Oeste. A formação de um olho no centro da tempestade na costa é mais um sinal de um ciclone tropical, algo atípico no nosso clima. Simulações de computador indicavam que o centro da tempestade no mar chegaria a apenas 50 quilômetros da faixa costeira. Seu centro alcançaria o Litoral Norte. 

De acordo com a MetSul Meteorologia, o vento soprará com rajadas, mas a preocupação maior é com chuva no Leste gaúcho que pode ser forte a torrencial em alguns pontos, podendo gerar transtornos.

Boletim assinado pelo meteorologista Michael Davison, publicado no site do NOAA, dizia “planejem-se para o pior”, advertindo para vento de até 70 km/h na costa e chuva muito intensa. A MetSul é mais comedida e informava que o cenário não se comparava ontem ao Catarina, furacão que arrasou parte da região costeira em 2004. Para a empresa, entretanto, o quadro era de alto risco, mas com perigo maior de transtornos por chuva intensa do que vento.

De acordo com o meteorologista da MetSul Eugenio Hackbart, um ciclone recebe a designação de Invest sempre que possui o potencial de evoluir para o estágio de tropical (depressão tropical, tempestade tropical ou furacão). Foi a primeira vez, desde 2006, que um ciclone foi designado como Invest na costa brasileira. “Houve a formação de um olho na tempestade sobre o mar, o que é característico de sistemas tropicais”, destacou Nachtigall.

De acordo com os meteorologistas da MetSul, ciclones subtropicais e tropicais têm comportamento não raro imprevisível, o que poderia causar intensificação, devendo as autoridades se manter em alerta. Na quinta-feira, o ciclone começaria a se afastar da costa gaúcha, segundo as projeções computadorizadas.


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