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09/01/2013 07:30 - Atualizado em 09/01/2013 07:41

Indústria gaúcha teme racionamento de energia

Dilma acompanhará reunião sobre nível dos reservatórios das hidrelétricas no País

As indústrias do Rio Grande do Sul estão preocupadas com a escassez de energia elétrica. O alerta é do coordenador do Grupo Temático de Energia da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Carlos Faria, que considera "extremamente delicado" o segundo semestre deste ano e o verão de 2014.

"As indústrias gaúchas estão preocupadas sim, porque o Rio Grande do Sul, assim como Santa Catarina e Paraná, são totalmente dependentes da energia importada, principalmente da região Sudeste. Com os níveis dos reservatórios das hidrelétricas mais baixos, existe a possibilidade de que um racionamento possa ocorrer", destaca Faria. Ele acredita que poderá ocorrer desligamentos temporários por parte das distribuidoras de energia para equilibrar o sistema.

De acordo com Faria, as hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste - responsáveis por 70% da produção de energia no País - estão com os reservatórios no menor nível dos últimos 12 anos para o mês de janeiro. Esse fato, juntamente com o consumo em alta, em função do calor, são fatores que podem ocasionar a necessidade de racionamento de energia elétrica. "Tem locais na região Sudeste e Centro-Oeste que a ocorrência de chuva é mínima, e justamente nestes locais é que estão localizadas as hidrelétricas", comenta.

O governo federal nega que possa haver o risco de o País ter de fazer economia forçada de energia. O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Hermes Chipp, ressaltou que as duas linhas de transmissão de 525 kV que serão construídas em Salto Santiago, no Paraná, até Itá, e de Itá a Nova Santa Rita (as obras deverão ser concluídas em dezembro deste ano) são vitais para o verão 2013/2014. Hermes Chipp garantiu que o Estado não terá falta de energia elétrica neste verão.

A previsão do ONS é de que possam ocorrer problemas de sobrecargas em transformadores, dependendo da temperatura alcançada. Chipp garante que não há cortes de energia previstos em função do elevado calor no Estado e também no restante do País. Carlos Faria espera que, com a entrada em operação das duas linhas de transmissão de 525 kV em 2014, o Rio Grande do Sul não tenha problemas de cortes de energia.

Dilma acompanhará reunião sobre nível dos reservatórios das hidrelétricas


A presidente Dilma Rousseff acompanhará nesta quarta a reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico - que avalia o suprimento de energia no País -, pois o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas tem preocupado o governo. A reunião está marcada para as 14h30min. A expectativa é que sejam discutidas as questões de expansão das obras em curso no País e de segurança.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que os reservatórios do Nordeste operam com 31,61% da capacidade, e os do Norte, com 41,24%. Para suprir a demanda de consumo, todas as termelétricas estão em funcionamento.

A previsão é que participem da reunião de hoje o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, integrantes do ONS, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da Agência Nacional do Petróleo (ANP), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Câmara de Compensação de Energia Elétrica (CCEE), da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel). Também foram convidados dirigentes da Eletrobrás e das associações do setor elétrico.

Pelos dados da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine), os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste estão no mais baixo nível para o mês de janeiro desde 2001, ano do último racionamento de energia elétrica no País. A capacidade armazenada atual nos lagos das usinas é 28,9%.

Nessa terça, Dilma se reuniu com o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, para atualizar os dados sobre a situação do sistema elétrico brasileiro. Após a conversa, Zimmermann afastou a ameaça de racionamento e disse que o sistema opera de acordo com o equilíbrio estrutural para o qual foi planejado.

As usinas hidrelétricas gastaram R$ 2,2 bilhões no ano passado com arrecadações de royalties e de compensação financeira pela utilização de recursos hídricos (Cfurh) para geração de energia elétrica a municípios, estados e à União, segundo a Aneel.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que o Brasil tem condições estruturais que dão segurança e tranquilidade ao setor elétrico e permitem descartar a possibilidade de um racionamento de energia. Segundo ele, a situação atual é diferente da que ocorreu em 2001 no País, quando houve blecaute.

Tolmasquim disse ainda que em 2001 não havia uma quantidade de usinas térmicas de reserva suficiente para funcionar como uma espécie de seguro ou “colchão” do sistema elétrico. Em relação às tarifas de energia, ele observou que a queda de 20%, que entrará em vigor em fevereiro, poderá ser afetada por fatores conjunturais, levando a redução a ser maior ou menor. Para ele, as avaliações feitas pelo governo sobre o cenário atual e as séries históricas dão tranquilidade ao setor.

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Fonte: Correio do Povo e Agência Brasil






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