 Aves foram vista no Parque Mascarenhas de Moraes Crédito: Milton Sardi / Especial / CP
|
Aves foram vista no Parque Mascarenhas de Moraes
Crédito: Milton Sardi / Especial / CP
|
A ave já virou música. O compositor João do Vale imortalizou o parente dos falcões com a música Carcará nos anos 60, dizendo “Carcará, pega mata e come... Carcará num vai morrer de fome”. Desde o final do ano passado, bandos deles são vistos sobrevoando Porto Alegre, caminhando calmamente em parques e até pousando nas janelas de casas. A ave é inofensiva ao ser humano, embora, na áreas rurais, onde também recebe o nome de carancho, seja temida principalmente nos campos de criação de ovinos, pois tem fama de atacar os filhotes recém nascidos.
Entre as pessoas que viram a ave recentemente em Porto Alegre, está o médico João Altmayer Gonçalves. Ele relata que num domingo visitava um amigo na Vila Conceição, no bairro Tristeza, na zona Sul, e, no meio da manhã, enquanto mateavam olhando o Guaíba, na altura da Pedra Redonda, quando avistaram os carcarás. As aves voavam sobre o Guaíba e uma delas se aproximou, em voo ascendente, na direção da casa. O médico diz que um casal de caranchos se estabeleceu nos fundos do terreno do amigo, numa área de mata nativa e árvores de grande porte.
O médico que tem suas origens no campo, descreve o voo do carcará, como sendo suave. Lembra que ele trazia em suas garras “um peixe grande que se debatia na luta pelo oxigênio e quem sabe prevendo o seu destino”. O sol acentuava o brilho de suas escamas e sua cauda movia continuamente. Os dois amigos acompanharam a descida por entre as árvores. O carcará sempre mantinha as patas esticadas e as garras firmes cravadas na sua presa. Ao pousar ao lado de sua parceira, “esta veio dar fé”, aproximando o bico aguçado. Gonçalves diz que a observação da ave, feita a certa distância, para não perturbar o almoço do casal, durou poucos minutos.
“Durou o tempo em que tudo o que sobrou do peixe foi o espinhaço completamente limpo”, disse. Outro porto-alegrense que viu e fotografou as aves desfilando calmamente na cidade foi o produtor de eventos Milton Sardi. Ele passeava pelo Parque Mascarenhas de Moraes, no bairro Humaitá, na zona Norte, quando se deparou com as enormes aves que preguiçosamente ainda fizeram pose para a foto.
Cientificamente o carcará, ou carancho, tem o nome de “Polyborus plancus”. Sua envergadura ultrapassa com facilidade 1,2 metro e sua altura chega a 60 centímetros. Segundo o ornitólogo da Fundação Zoobotânica do RS, André de Mendonça Lima, a ave é nativa do Rio Grande do Sul, mas é encontrada em toda a América do Sul. A penugem da cabeça lhe dá a aparência de estar usando uma boina. O bico adunco e alto se destaca numa face avermelhada. O peito normalmente tem uma combinação de marrom claro com riscas pretas e patas compridas “O carcará é um falcão que se alimenta de insetos, anfíbios, roedores e quaisquer outras presas fáceis”, observa Lima, lembrando que pode pescar ou caçar em campo aberto, mas não raro, se alimenta de frutas.
Fonte: Roberto Tavares / Correio do Povo
|