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22/01/2013 15:10 - Atualizado em 22/01/2013 15:28

OIT espera número recorde de desempregados em 2013

Economia mundial deve se recuperar, mas crescimento não será forte para melhorar cenário com rapidez, dizem analistas

O desemprego mundial atingirá mais de 202 milhões de pessoas em 2013, e baterá o recorde absoluto de 199 milhões em 2009, estimou nesta terça-feira a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em seu relatório anual sobre as tendências mundiais do emprego, divulgado em Genebra. "Apesar de uma recuperação moderada do crescimento da produção" esperada para os próximos dois anos, "a taxa de desemprego deverá novamente aumentar e o número de desempregados no mundo vai crescer 5,1 milhões em 2013 para ultrapassar os 202 milhões e ganhar mais 3 milhões em 2014", consideram os especialistas da OIT.

Em 2012, o desemprego voltou a aumentar, "com 197 milhões de pessoas sem trabalho", ou seja, 4 milhões a mais do que em 2011 (193 milhões). "Este número significa que hoje são 28 milhões de pessoas desempregadas no mundo a mais em relação a 2007. Ou seja, 28 milhões de desempregados a mais que no período anterior à crise", explicou à imprensa o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.

Segundo o organismo, a recessão na Europa se propagou a nível mundial, afetando o emprego. "Até o momento, o principal mecanismo de contágio (...) foi o comércio internacional, mas regiões como América Latina e o Caribe também foram afetadas pela crescente volatilidade dos fluxos internacionais da capital (...) debilitando deste modo suas economias nacionais", segundo o relatório da OIT. A OIT corrigiu para baixo seus números do desemprego devido a novos dados, vindos principalmente da Índia.

Durante uma entrevista coletiva à imprensa, Ryder lamentou "a deterioração da situação do desemprego em todo o mundo", considerando que as perspectivas "não são boas". "As tendências vão em uma direção ruim", disse. O recorde absoluto do número de desempregados data de 2009, com 199 milhões. "Vamos bater este recorde em 2013", declarou à AFP um especialista da OIT.

"As incoerências políticas", em "particular na Eurozona, com um tratamento dos problemas conforme eles apareciam", tiveram repercussões nas decisões relacionadas ao investimento, o que freou o crescimento do emprego. Além disso, quando novos empregos são criados, eles se tornam inacessíveis para os desempregados de longa duração porque "exigem competências que eles não têm".

Os jovens também são particularmente afetados pelo desemprego. Segundo a OIT, "73,8 milhões de jovens carecem de emprego no mundo, e a desaceleração da atividade econômica provavelmente conduzirá a outro meio milhão de jovens até 2014". Em 2012, o índice de desemprego dos jovens subiu a 12,6% e em 2017 deve alcançar 12,9%. Com a crise surgiu um novo fenômeno, ressalta a OIT, o dos jovens que vivem o desemprego de longa duração "desde sua chegada ao mercado de trabalho", uma situação inédita.

Atualmente, 35% dos jovens desempregados nas economias desenvolvidas permanecem sem emprego por seis meses ou mais, contra 28,5% em 2007. Diante desta situação, cada vez mais jovens abandonam o mercado de trabalho "e não estão trabalhando, nem desempregados, nem na escola nem em formação".

A médio prazo, segundo analistas citados no relatório, "a economia mundial deve se recuperar, mas o crescimento não será suficientemente forte para reduzir o desemprego com rapidez". Assim, ainda com uma aceleração do crescimento, "estima-se que o número global de desempregados aumentará ainda mais até 210,6 milhões durante os próximos cinco anos".

Outra conclusão deste relatório é que o crescimento da produtividade do trabalho desacelerou bruscamente em 2012, devido a "frágeis investimentos e às incertas perspectivas mundiais". O relatório da OIT considera "especialmente preocupante a tendência de uma desaceleração da produtividade do trabalho observada em certas regiões como América Latina e o Caribe", o que "sugere que os progressos na qualidade do emprego registrados nestas regiões durante os últimos anos possam ser difíceis de manter".

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Fonte: AFP






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