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27/01/2013 20:03 - Atualizado em 27/01/2013 21:33

Familiares fazem busca dolorosa por filhos em Santa Maria

Menina de 19 anos viajou de Faxinal do Soturno apenas para ir à festa

Familiares fazem busca dolorosa por filhos em Santa Maria
Crédito: Fabio Dutra/Especial CP

Luana Facco Ferreira, de 19 anos, quase perdeu o ônibus que a levou de Faxinal do Soturno, onde mora, até Santa Maria, na tarde de sábado. Segundo a mãe, Cibele Facco, 35 anos, a filha chegou à rodoviária momentos antes do coletivo partir. O único motivo da viagem era a festa em que iria com amigas na boate Kiss. Antes de viajar, deu um recado: “Ela disse ‘mãe, se eu não voltar no ônibus das 6h30min, volto à tardinha’”, conta Cibele.

No final da tarde de domingo, a mãe procurava encontrar repostas para a tragédia, sem perder a fé. “Me disseram que tem gente em Cachoeira do Sul e Porto Alegre sem identificação. Eu tenho esperança”, contou, enquanto aguardava pela localização da filha no Centro Desportivo Municipal de Santa Maria. Pelo menos 233 pessoas morreram no incêndio.

Infelizmente, Luana era um dos nomes publicados na lista com identificação das vítimas fatais, atualizada durante a noite. Moradora de Faxinal do Soturno, a jovem sonhava em se mudar para Santa Maria. Chegou a tentar uma vaga em Medicina Veterinária na UFSM, mas não foi aprovada. “Ela estava bem chateada porque não tinha conseguido, mas ainda assim queria vir para cá. Falava em alugar um apartamento e fazer um cursinho”, recorda a mãe.

Pelas amigas, Luana é definida como uma pessoa de alto-astral. “Ela está sempre brincando, sempre rindo. É muito carinhosa”, conta Letícia Zuliani, 19, que por pouco não foi à festa. “Cheguei a me vestir para sair, mas estava me sentindo cansada”, afirmou.

Além da dor de receber a notícia do incêndio, pais, familiares e amigos das vítimas enfrentaram a angústia de não receberem uma informação precisa sobre o estado de saúde deles. A lista com o nome dos hospitalizados era frequentemente divulgada pela cidade ou nos meios de comunicação. Alguns dos feridos, porém, demoraram a ser identificados, e somente as descrições físicas eram fornecidas. “A maior dificuldade é saber onde ele está. Você vai a um determinado hospital, eles tem uma listagem, e a gente não sabe para qual hospital ele foi”, relatou Sérgio Reis, 60, que procurava pelo sobrinho Igor Pereira, 21, estudante do 1º semestre de Psicologia.

Situação semelhante viveu a família de Carla Oliveira, 36. Os irmãos José e Mirela Rosa da Cruz, 18 e 21 anos, estavam dentro da boate no momento do incêndio. Até o final da tarde, eles ainda não haviam sido localizados. “Já percorremos todos os hospitais. Está complicado”, afirmou Carla. Os irmãos, assim como grande parte das vítimas, eram alunos da UFSM: José cursava o 3º semestre de Zootecnia e Mirella era aluna do 2º semestre de Pedagogia.

Incêndio teria começado com sinalizador


O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 3h deste domingo. Cerca de mil pessoas estariam no local, a maioria participando de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes de uma banda que acabara de subir ao palço lançou um sinalizador. O comandante do Corpo de Bombeiros, Coronel Guido Pedroso de Melo, afirmou que o objeto teria enconstado numa forração de isopor.

As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Testemunhas relataram que, a princípio, parecia uma briga e os seguranças fizeram um cordão de bloqueio. Mas, quando viram que era um incêndio, liberaram a passagem.

Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram e a pessoas tiveram que recorrer a equipamentos que ficavam mais distantes. Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimões, usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate. Os próprios socorristas passaram mal em razão da fuligem. Muita gente que conseguiu escapar voltou para ajudar os outros, como o dentista Matheus Bortolotto.

Os sobreviventes foram levados para o Hospital de Caridade, o Hospital Universitario de Santa Maria (HUSM) e o Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Os corpos foram encaminhados para o ginásio municipal.



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Fonte: Danton Júnior/Correio do Povo






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