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Pessoas de diferentes idades e de várias regiões do Estado circulam desde o domingo entre parentes e amigos das vítimas do incêndio em Santa Maria
Crédito: Tarsila Pereira
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Pessoas de diferentes idades e de várias regiões do Estado circulam desde o domingo entre parentes e amigos das vítimas do incêndio em Santa Maria, com uma missão especial: ajudar. Desde as primeiras horas de atendimento, mais de mil voluntários cadastraram-se no Centro Desportivo Municipal (CDM), onde concentraram-se as atividades de identificação e liberação dos corpos. O trabalho teve continuidade nesta segunda-feira, nos velórios e sepultamentos realizados em diferentes locais de Santa Maria.
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O chamamento das autoridades despertou a solidariedade tanto de médicos, psicólogos e enfermeiros, como de pessoas sem nenhuma formação, que auxiliavam na limpeza, preparação e distribuição de alimentos. Algumas pessoas também disponibilizaram hospedagem, banho e café da manhã em suas casas, de forma gratuita.
Ao ouvir as primeiras notícias sobre a tragédia, o professor de inglês Vinícius Rodrigues Serafim, 26 anos, achou que sua presença seria útil no CDM. A exemplo do que fizera o pai e a irmã, ele foi ao local para auxiliar na distribuição de lanches e água mineral aos frequentadores. “Tive alunos que faleceram. Não consegui ficar estático em casa”, diz ele.
Uma das principais tarefas dos voluntários, que era confortar os familiares, estava a cargo dos psicólogos. “Uma mãe perder um filho é a maior dor de todas. Não é a lei natural da vida”, afirma a psicóloga Andréia Molinos, 24, moradora de Santa Maria, que apresentou-se como voluntária. Ela explica que resolveu dirigir-se ao CDM após perceber a grande quantidade de jovens vitimada pela tragédia – e, consequentemente, de sonhos e projetos de vida que foram encerrados de maneira brusca. “O acompanhamento que fazemos é estar na presença principalmente dos pais e levar a eles uma palavra de conforto”, observa.
A enfermeira Tânia Moreira, participou da equipe fazendo, entre outras funções, a medição da pressão arterial e dos sinais vitais de familiares das vítimas – muitos passaram mal e tiveram de receber atendimento médico. “Ficar em casa sem fazer nada, sabendo que pode ajudar, é muito egoísmo”, define Tânia.
Nesta manhã, a coordenação dos voluntários ainda solicitava a participação de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, já que, com o passar do dia, eles foram deslocados para os hospitais e para os locais onde ocorreram os enterros. Segundo a coordenadora da ação, Tatiane Dias, 1,2 mil pessoas apresentaram-se voluntariamente desde a madrugada de domingo até a manhã de segunda-feira.
À tarde, a comunidade rezou uma missa pelas vítimas do incêndio, 231 mortos e 144 feridos – 75 deles em estado gravíssimo – e pelos familiares e amigos.
Fonte: Danton Júnior
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