Correio do Povo

Porto Alegre, 24 de Maio de 2013


Porto Alegre
Agora
11ºC
Amanhã
11º 18º


Faça sua Busca


Notícias > Geral

ImprimirImprimir EnviarEnviar por e-mail Fale com a redaçãoFale com a redação Letra Diminuir letra Aumentar Letra

29/01/2013 17:35 - Atualizado em 29/01/2013 18:27

Em visita a hospitais, familiares e sobreviventes relatam pânico

Estudante afirmou que não sairá à noite tão cedo e que frequentará lugares arejados

Bárbara disse que as casas noturnas que conhece têm apenas uma porta<br /><b>Crédito: </b> Tarsila Pereira
Bárbara disse que as casas noturnas que conhece têm apenas uma porta
Crédito: Tarsila Pereira
Bárbara disse que as casas noturnas que conhece têm apenas uma porta
Crédito: Tarsila Pereira

O estado de saúde de 75 feridos no incêndio que atingiu a boate Kiss de Santa Maria na madrugada de domingo é grave, segundo o Ministério da Saúde. Dos 65 pacientes internados na cidade, 27 respiram com a ajuda de aparelhos devido à grande quantidade de fumaça inalada. Nesta terça-feira, parentes e amigos percorreram os hospitais de Santa Maria para visitar os internados, com a lembrança do que ocorreu na casa noturna ainda bem viva.

“Calma mãe, eu estou bem”, dizia Handrey Fagundes, 19 anos, à cabeleireira Lenir, 51, enquanto ela chorava ao recordar os momentos de pânico vividos no último domingo. Ele repetia o gesto de quando ligou para ela e avisou: “Estou no hospital, mas meu estado é muito bom perto de muitos”. Nesta terça-feira, os dois foram ao Hospital de Caridade visitar amigos do rapaz, internados.

Com alguns hematomas provocados pela tragédia, Handrey não sabe ao certo quantos amigos perdeu. Segundo ele, foram entre 20 e 25. Passados três dias, o sobrevivente do incêndio ainda demonstrava abatimento. “Não consigo pensar muito em justiça, como tem muita gente pensando. Não que seja errado, acho importante recorrer ao que tem que ser recorrido. Mas, no meu caso, não quero justiça para mim."

Bixo do curso de Tecnologia da Alimentos da UFSM, Bárbara Kuchinski, 20, acompanhava as veteranas da faculdade durante a festa na boate Kiss – embora o estabelecimento não estivesse entre os preferidos dela. A estudante esteve no hospital para pegar um relatório médico acompanhada do pai, Dionízio, e conta que estava na área vip, bem em frente ao palco. “Quando eu vi que era realmente fogo, puxei meus amigos e quem estava por perto e fui empurrando todo mundo”, conta. Ao sair, viu inúmeros bombeiros e ambulâncias. “Vi a fumaça preta saindo e então percebi que era realmente sério. Mas só no outro dia caiu a ficha”, observa.

Com acompanhamento psicológico, Bárbara afirma que não pretende voltar a sair à noite tão cedo. “Se eu for, vai ser num lugar arejado, sem nenhuma porta trancando”, observa. A jovem, que disse preferir locais mais tranquilos, contou que a maioria das casas noturnas que conhece tem estrutura semelhante ao palco da tragédia, onde não havia saída de emergência. “A mesma porta da entrada é a porta da saída”, disse.

Os irmãos Delvani, 20, e Jovani Rosso, 25, vieram de Rivera com um grupo de amigos para passar a noite na boate Kiss. O agricultor José Luiz, pai deles, estava na lavoura, em Manoel Viana, quando ficou sabendo do incêndio. “Nem sabia que eles estavam lá”, relatou, após visitar o filho mais novo, internado em estado grave no Hospital de Caridade. “Ele é estudante do curso técnico agrícola e agora está em cima de uma cama. Espero que as autoridades tomem as providências cabíveis”, lamentou. O outro filho, Jovani, sofreu apenas ferimentos leves nos braços.


Bookmark and Share

Fonte: Danton Júnior / Correio do Povo






O que você deseja fazer?

Busca

EDIÇÕES ANTERIORES

Acervo de 09 de Junho de 1997 a 30 de Setembro de 2012. Para visualizar edições a partir de 1 de Outubro de 2012, acesse a Versão Digital do Correio do Povo. No menu, acesse “Opções” e clique em “Edições Anteriores”.