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Os dados de 94 celulares e oito câmeras fotográficas que pertenciam às vítimas do incêndio da boate Kiss em Santa Maria serão avaliados pelos peritos da Polícia Federal. O trabalho, em cooperação com as investigações da Polícia Civil, deve durar pelo menos duas semanas para ser concluído devido ao volume de aparelhos e as condições de alguns. A tragédia na danceteria no último dia 27 de janeiro deixou 238 mortos.
Os peritos criminais federais vão trabalhar em regime de mutirão para atender a demanda. Dos 94 celulares, 60 foram enviados para Porto Alegre, onde uma equipe do Setor Técnico-Científico (SETEC) da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do Rio Grande do Sul auxiliará na análise.
Os maiores problemas estão relacionados a baterias sem carga e a ausência de carregadores. Alguns aparelhos são protegidos por senha e outros estão danificados, queimados ou molhados, fato que também dificulta. São usados equipamentos específicos para análise de celulares que contemplam todas as marcas. Há dificuldades de aparelhos que vem da China e não tem marca definida ou são genéricos.
O trabalho busca imagens do evento, desde condições da boate e de lotação e filmagens do próprio incêndio, a fim de esclarecer e dar mais informações sobre o ocorrido. Não há formato específico para apresentação das conclusões. Aparelhos com conteúdo de maior interesse poderão resultar em relatórios individuais.
A tragédia
O incêndio na boate Kiss – que fica na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. O público jovem participava de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna.
As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Testemunhas relataram que, a princípio, parecia uma briga e os seguranças fizeram um cordão de bloqueio. Mas, quando viram que era um incêndio, liberaram a passagem.
Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram. Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.
Fonte: Renato Oliveira / Correio do Povo
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